Jazzmin’s Combo faz show na Casa das Rosas em São Paulo

O Jazzmin’s Combo faz show gratuito, neste domingo (13), às 15h, na Casa das Rosas, em São Paulo, como parte da programação dedicada ao Outubro Rosa, campanha que busca conscientizar e alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

O Música em Letras esteve no ensaio do grupo formado por Gê Cortes, no contrabaixo; Lis de Carvalho, no piano; Priscila Brigante, na bateria; e Paula Valente, nos saxofones e flauta. Além de entrevistar as artistas gravou, com exclusividade para o blog, um vídeo no qual a música “Jaboticaba”, da pianista, foi interpretada e ganhou curiosamente, no final, a canja de um bem-te-vi que parece dizer “Muito bem! Muito bem!” (assista ao vídeo no final do texto).

Essas quatro instrumentistas do Jazzmin’s Combo também integram as 17 instrumentistas que compõem a Jazzmin’s Big Band. Formada em São Paulo no final de 2016, a banda apresenta um repertório totalmente dedicado à música popular com arranjos jazzísticos. Perguntadas sobre as  idades de cada uma, Lis de Carvalho respondeu, ironicamente, ter “um dia”; Gê Cortes, “dois meses”; Priscila Brigante, “algumas primaveras”; enquanto Paula Valente fez jus ao sobrenome revelando ter 55 anos. “Já que ninguém falou, falo mesmo porque é o que temos”, respondeu rindo.

Saxofonista, flautista professora e compositora Paula Valente disse não ser arranjadora. “Não, não escrevo arranjos, mas dou meus palpites. A Gê [contrabaixista] é que tem coragem para isso.”

É Paula Valente quem alerta para que o público visite, entre outras coisas, a mostra fotográfica que acontece no mesmo espaço da apresentação do quarteto. “São várias coisas acontecendo na Casa das Rosas neste Outubro Rosa. Além do show, que será muito legal, a exposição de fotos traz mulheres que tiveram ou têm câncer de mama, com trabalhos muito lindos, superartísticos. As pessoas podem chegar antes do show e curtirem bastante o lugar.”

Para Paula Valente tocar no quarteto Jazzmin’s Combo é bem diferente de tocar na Jazzmin’s Big band. “Na big band tem muito naipe e ‘tutti’ de banda [passagem orquestral onde todos os componentes da banda ou orquestra tocam juntos]. Com o quarteto são mais temas e solos, por isso temos muito mais espaço para improvisação e mais liberdade em termos de timbre.”

Liz de Carvalho, pianista, compositora, arranjadora e professora contou que fez a música “Jaboticaba”, gravada pelo blog e que será apresentada no evento, foi inspirada pelas músicas e paisagens mineiras. “Essa é uma música baseada no modo lídio, que penso ser a escala musical mais iluminada que a gente tem. Acho que ao compô-la eu quis buscar a luz nela.”

Há alguma alteração para a pianista quando toca com essa formação reduzida da big band? “Muda bastante, porque tenho bem mais espaço sonoro, com menos timbre e volume, mas é bem interessante também.”

Para a compositora, arranjadora, contrabaixista e professora Gê Cortes, que nasceu em Juiz de Fora (MG), mas veio para São Paulo ainda criança, é muito importante que haja a conscientização promovida pela campanha Outubro Rosa. “Nunca tive câncer de mama, mas quando eu era novinha percebi, me apalpando, um nódulo em meu seio. Era benigno, foi retirado facilmente no consultório, o que foi bom,  porque poderia se transformar em uma coisa que não seria legal.  Então é superimportante fazer essa campanha porque muitas mulheres têm uma certa timidez ou medo de falar sobre isso e medo de se apalpar, às vezes até por ter pouca informação. O Outubro Rosa lembra todo mundo disso.”

Jazzmin’s Combo, a partir da esquerda, a saxofonista Paula Valente, a pianista Lis de Carvalho, a baixista Gê Cortes e a baterista Priscila Brigante (Foto: Divulgação/ Paulo Rapoport)

Quanto a tocar na formação reduzida do combo, a artista comentou: “É mais ou menos o que a Lis falou. No caso da big band, a gente tem arranjos que já vêm prontos, tem uma certa liberdade para criar alguma coisa, mas a parte do baixo já vem escrita. No combo, ficamos mais livres, por exemplo, para eu e a Priscila [baterista] criarmos juntas. Eu gosto das duas formações. Na big band, apesar de termos uma coisa pré-definida, o desafio é conseguir sacar onde você pode criar uma coisinha diferente. No quarteto é uma coisa livre leve e solta, e podemos inventar tudo o que puder.”

A baterista, percussionista e também compositora Priscila Brigante nasceu em São Carlos (SP) e mora na capital há mais de 20 anos. Para ela, tocar no quarteto é como “as meninas já falaram antes”.

“Na Jazzmin’s Big Band tem essa questão de você tocar os arranjos bem direitinho, porque estão todos escritos, além de timbramos com todo mundo. No quarteto há a questão da liberdade, com mais espaço e aberto a muito mais experimentações, mas claro que tudo  tem seu lugar e espaço próprios. ”

Para a baterista, durante a apresentação do dia 13  será possível ouvir vários ritmos, que aparecerão aos poucos e bem misturados, entre eles o samba e o baião. “O show tem uma diversidade rítmica bem grande, por exemplo, nessa música da Lis [Jaboticaba] aparece uma coisa que é um jazz mineiro, mas terá de tudo um pouco.”

Para a pianista Lis de Carvalho, “as pessoas que forem a esse show irão ouvir quatro mulheres tocando, não só pró-conscientização sobre a prevenção do câncer. Mas também mostraremos que estamos tocando porque as mulheres precisam de espaço, serem ouvidas e respeitadas”.

Segundo a contrabaixista Gê Cortes, quem for ao show ouvirá, além dessa liberdade musical que a formação propicia, quatro mulheres tocando música instrumental brasileira, com improvisos como no jazz. “Isso é raro; é mais comum você ouvir e ver mulheres cantoras,  musicistas são mais raras.”

A baterista Priscila Brigante consultou a previsão do tempo para o dia do show e adianta: “Vai ser um domingo lindo e ensolarado naquele espaço bem particular que é o jardim da Casa das Rosas. Quem for ao show verá mulheres competentes e engajadas em compartilhar essa conscientização. Vamos tocar o mais bonito possível para que todos saiam de lá mais leves e mais conscientes”.

O repertório do show traz duas músicas do compositor e saxofonista Victor Assis Brasil (1945-1981), “Pro Zeca” e “Waltz for Phill”, a última feita em homenagem ao saxofonista, clarinetista e compositor norte-americano Phil Woods (1931-2015).

“Vera Cruz”, de Milton Nascimento e Márcio Borges, além de “Doralice”, de Dorival Caymmi (1914-2008), e o standard de jazz “Song for My Father”, de Horace Silver (1928-2014), estão garantidas no espetáculo . “A música do Horace Silver foi feita em homenagem ao Brasil, quando ele esteve aqui. Tanto que o início é uma menção ao samba”, contou Lis de Carvalho, sendo completada pela baixista Gê Cortes: “Eu não sabia, mas essa música tem uma letra em inglês, que ouvi sendo cantada pela Alba no Mancini [Walter Mancini Ristorante] e no final dela tem a palavra Brazil”.

O evento no jardim da Casa das Rosas será uma ótima oportunidade para que, homens e mulheres, aliem arte e informação para uma vida mais saudável. Vá e encha seu peito de emoção e cuidado.

Assista, a seguir, ao vídeo gravado com exclusividade pelo Música em Letras, no qual a música “Jaboticaba”, de Lis de Carvalho é interpretada pelo Jazzmin’s Combo.

SHOW JAZZMIN’S COMBO
QUANDO Domingo (13), às 15h
ONDE Casa das Rosas, av. Paulista, 37, Paraíso, São Paulo, tel. (11) 3285-6986
QUANTO Gratuito