Um dos melhores bateristas do mundo lança disco em show

Por Carlos Bozzo Junior
Da esquerda para a direita, o violonista Gian Correa, o acordionista Guilherme Ribeiro. o baterista Edu Ribeiro, o trompetista Rubinho Antunes e o contrabaixista Bruno Migotto
Da esquerda para a direita, o violonista Gian Correa, o acordionista Guilherme Ribeiro. o baterista Edu Ribeiro, o trompetista Rubinho Antunes e o contrabaixista Bruno Migotto (Foto: Divulgação)

O brasileiro Edu Ribeiro é indiscutivelmente um dos melhores bateristas do mundo. Duvida? Então compareça ao show que acontece no próximo domingo (20), às 19h, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, ocasião em que o catarinense de Barreiros, subúrbio de Florianópolis, lança seu segundo CD, “Na Calada do Dia”.

Tarefa fácil é confirmar o que está escrito no parágrafo acima e no título desse post sobre esse exímio instrumentista e compositor. Além de ter abocanhado quatro Grammy Awards – importante prêmio da indústria fonográfica-, Ribeiro integra o Trio Corrente, o quinteto Vento em Madeira e já conduziu músicas para Mike Stern, Mônica Salmaso, Leny Andrade, Leila Pinheiro e New York Voices, entre vários grupos e artistas.

O Música em Letras conversou hoje (18), pela manhã, com o baterista, enquanto ele dirigia. Mas isso não caracteriza uma infração de trânsito e coloca em risco a vida de outros motoristas, pedestres, postes, cães, gatos, árvores, além de sua própria vida? Não, pois o músico estava utilizando o viva-voz de seu aparelho e por ser um excelente baterista consegue desempenhar várias funções independentes ao mesmo tempo. Sempre com suingue, técnica e a maestria de quem sabe conduzir músicas e veículos.

Perguntado qual o conceito desse novo CD, Ribeiro respondeu: “Não sei se, na verdade, tem um conceito. Faço nele uma música muito parecida com a que fiz no meu primeiro disco [“Já tô te Esperando”, 2006], tratando-se de formação e concepção. Naquela ocasião, usei o acordeon e trompete junto com o violão, contrabaixo, bateria e gostei muito da sonoridade. Por isso, nesse novo disco pensei em fazer todas as músicas inspirado nessa sonoridade. Mas não tem um conceito. São as influências do que ouvi em minha vida, como o Radamés [Gnatalli (1906-1988), arranjador, compositor e pianista brasileiro] que usava muito acordeon com violão, o que gosto muito. Contudo, acabo me influenciando pelas pessoas com quem trabalho, como a Léa [Freire, flautista, compositora e arranjadora brasileira], o Mozar [Terra (1950-2006), pianista, arranjador e compositor brasileiro] e pelo Chico Pinheiro, que são compositores com quem trabalhei e vivenciei as composições deles na hora de fazer os arranjos. Portanto, acabo por trazer um pouco da musicalidade dessas pessoas misturadas à minha.”

Acompanhando o baterista no CD e no show só feras: Bruno Migotto (contrabaixo), Guilherme Ribeiro (acordeon), Gian Correa (violão de 7 cordas) e Rubinho Antunes (trompete), além da flautista e compositora Léa Freire.

Capa do CD “Na Calada do Dia”, de Edu Ribeiro (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Entre as doze músicas do CD que serão apresentadas, está “Maracatim”, que abre o disco, de autoria de Ribeiro.“Esta música é um maracatu que eu escrevi para o Vento e Madeira [quinteto formado por Léa Freire (flauta), Teco Cardoso (sopros), Tiago Costa (piano), Fernando Demarco (contrabaixo) e Edu Ribeiro (bateria)]. Já havia gravado, mas aqui ela está com outra formação. Essa foi a primeira vez que compus um maracatu pensando nas vozes, entre elas a do contrabaixo, e nas outras para serem distribuídas para as outras pessoas. É um maracatu supersimples, mas muito cantável. Sou um baterista, não tenho muito conhecimento de harmonia e de coisas mais complexas da música. Todas as músicas que faço são cantáveis para mim. O canto primeiro, depois vou no instrumento para fazer as combinações.”

No CD, ainda de autoria de Ribeiro, “O Índio Condá”, “Na Calada do Dia”, “Nívea”, “Mathias”, “10:30” e “Diddle Diddle”, além de “Nenê”, dele e de Nenê; “Aguaceiro”, de Guilherme Ribeiro; “Brincando com Théo”, de Léa Freire; “Lilu Okan”, de Chico Pinheiro; e “Esmirilhando”, de Gian Correa. No show, “Assanhado”, de Jacob do Bandolim (1918-1969), garante homenagem a esse gênio do choro.

Segundo o baterista, as pessoas devem ir ao show “de coração aberto” para ouvir música. “Uma música que faço com muito carinho. As pessoas ficam meio reticentes quando vão a um show de baterista por conta de solos. Esse não é um show com 50 solos de bateria, apesar de ter alguns. Espero que as pessoas gostem”, falou.

SHOW DE LANÇAMENTO DO CD “NA CALADA DO DIA”
ARTISTAS Edu Ribeiro (bateria), Bruno Migotto (contrabaixo), Guilherme Ribeiro (acordeon), Gian Correa (violão de 7 cordas) e Rubinho Antunes (trompete), e participação especial de Léa Freire (flauta)
QUANDO Domingo (20), às 19h
ONDE Auditório Ibirapuera, av. Pedro Alvares Cabral, s/n, portão 2, do Parque do Ibirapuera, São Paulo, tel. (11) 3629-1075. Entrada para carros no portão 3
QUANTO R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

CD “NA CALADA DO DIA”
ARTISTA Edu Ribeiro
QUANTO R$ 20
SELO Maritaca