Sem Noção – “Trios”, por Guga Stroeter

Por Carlos Bozzo Junior
O vibrafonista Guga Stroeter participando da série Sem Noção (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O vibrafonista Guga Stroeter participando da série Sem Noção (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Acontece amanhã, quinta-feira (09), às 20h30, o show de lançamento do disco “Trios” do vibrafonista e compositor soteropolitano Ricardo Valverde, 39, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

Aproveitando a oportunidade, o Música em Letras convidou o músico, arranjador, compositor, band leader e também vibrafonista Guga Stroeter, 56, para participar da audição às cegas do novo disco de Valverde para a série Sem Noção.

Em “Trios”, três trios executam, separadamente, cada uma das três sessões que compõem o CD: “Manhã”, “Tarde” e “Noite”. “Manhã” ficou a cargo do trio formado por Ricardo Valverde (vibrafone), Alex Maia (violão) e Matteo Papaiz (contrabaixo acústico), responsáveis pelas quatro primeiras músicas. “Tarde” traz o som de Valverde (vibrafone), Luizinho 7 Cordas (violão de sete cordas) e Álvaro Couto e Silva (acordeom); “Noite” mostra a sonoridade da formação que repete Valverde, no vibrafone, e Matteo Papaiz, dessa vez no contrabaixo elétrico, além de Yuri Prado na guitarra.

Stroeter toca vibrafone desde 1980, além de ser fundador da orquestra Heartbreakers (HB) e de ter formado o grupo de jazz Nouvelle Cuisine, com o qual gravou vários discos. Atualmente, é proprietário do Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, onde também se apresenta liderando a Heartbreakers, com a participação da cantora Carla Casarim, no SP Choro Samba Jazz, novo evento musical da noite paulistana.

O evento rola sempre às terças-feiras, das 20h30 às 23h30. Em uma mesma noite, acontecem três shows de música de qualidade. O primeiro traz um grupo de choro contemporâneo; o segundo é com a orquestra HB “investigando” um repertório de samba jazz, que, segundo Stroeter, tem a cara do Brasil dos anos 1960; e por último, há uma apresentação de um grupo instrumental, geralmente aberto para canjas.

Stroeter, que já acompanhou Dorival Caymmi (1914-2008), Elizeth Cardoso (1920-1990), Ney Matogrosso, Paulinho da Viola e Elba Ramalho, entre outros artistas, também gravou com Rita Lee, e trabalhou como arranjador e vibrafonista em gravações de João Bosco, Caetano Veloso, Cauby Peixoto (1931-2016), Gilberto Gil e Dionne Warwick.

O artista recebeu o Música em Letras, ontem (8) pela manhã, em sua casa no Alto de Pinheiros, bairro da zona oeste em São Paulo, para a audição às cegas proposta.

Leia, a seguir, as impressões de Stroeter sobre o CD “Trios”, que teve produção de Ricardo Valverde e André Salmeron, com produção executiva de Joana Farias. O CD foi gravado no estúdio Baticum, por Bruno Pontalti Santos e André Salmeron; masterizado por Bruno Pontalti Santos; e mixado no Clement Zular e Aúdio Portátil, por André Salmeron. A arte ficou por conta de Débora Murakami, textos e poesia por Juliana Valverde.

MANHÃ

FAIXA 1 “Vinheta”, de Ricardo Valverde e Juliana Valverde

“Gostei muito. É uma bossa nova lenta, que retoma algumas coisas como a instrumentação acústica, característica principal desse tipo de captação. A gente ouve o vibrafone, o baixo, e o violão de uma maneira muito intimista. O violão, ao invés da guitarra, traz sempre para uma coisa muito próxima da música brasileira e a harmonia complexa tem a ver com a pós-bossa nova. Muito bonitas a harmonia e a melodia, realmente sofisticadas. Interessante que é uma composição que pode ter um caráter jazzístico, mas não tem improvisação. Como faixa um, para mim, está muito claro o que está se colocando aí, a beleza dos timbres, a beleza da composição e dessa atmosfera envolvente, em que você é convidado a ouvir co m muita minúcia. Dá para ouvir até o barulhinho das baquetas.”

FAIXA 2 “Pecinha”, de Ricardo Valverde

“A gente começa a ver que tem um aspecto ‘sessentista’ nesse tipo de samba regional, meio marcha, que remete um pouco ao Edu Lobo dos anos 1960. É um trabalho evidentemente original e que está passeando entre o popular e o erudito. Isso fica muito explícito na contraposição que ele faz da primeira parte com a segunda parte da música. A primeira parte é o que chamamos de música tonal. Ela tem um centro tonal que permite que ela vá e volte num caminho que é bastante tradicional. Apesar de ser ousado, está dentro de uma linguagem tradicional. Na segunda parte, cria um contraste completo indo para uma região que chamamos menos tonal, usando uma escala que obedece a outros critérios. Isso provoca uma suspensão da lógica que existe na primeira parte, para depois voltar a repo usar, repetindo a primeira parte. Evidentemente trata-se de alguém que gosta de música popular, mas também gosta de música de concerto e está explorando essa região híbrida.”

FAIXA 3 “Revendo o Passado”, de Freire Júnior

“Minha audição vai mudando com a evolução das faixas. Buscamos sempre no vibrafone, um instrumento de jazz ou bossa nova, uma linguagem mais de improvisação. Essa faixa mostra um outro lado, que é superbrasileiro, remetendo à transição do século 19 para o século 20. É uma valsa choro com todos os contrapontos, por um lado barroco, meio Bach, mas também dentro daquela escola de Ernesto Nazareth, Zequinha de Abreu e da Chiquinha Gonzaga. Uma faixa muito brasileira e carioca por ser quase uma referência ao Brasil da transição do Império para a República. Há o uso do vibrafone dentro de uma perspectiva brasileira, quando começam a ser fundidas melodias de concerto com as síncopes brasileiras.”

FAIXA 4 “Moçambique”, de Ricardo Valverde e Douglas Germano

“Em relação à faixa anterior, essa é um salto no tempo. Nela a gente passa para um samba jazz que é característico já dos anos 1960. Vê-se uma bossa nova instrumental, propondo ideias melódicas com uma função mais rítmica. Interessante que é a primeira vez, nesse disco, que o vibrafone é tocado com quatro baquetas. O vibrafone pode ser tocado com duas baquetas, como se fossem dois dedos no piano, ou com quatro baquetas, como quatro dedos no piano, tornando-se um instrumento harmonizador. Para quem não conhece, é uma demonstração bacana em que o vibrafone passa a ser um instrumento acompanhador e a melodia solo vai para o contrabaixo. Isso funciona muito bem para esse tipo de samba jazz, mas não funcionaria bem para uma valsa imperial. Não podemos falar qu e é jazz porque não estamos falando de improvisação ainda, mas por enquanto o CD está fazendo um percurso bastante aberto dentro da musicalidade brasileira.”

TARDE

FAIXA 5 “Mimizando”, de Ricardo Valverde

“ Uma música surpreendente pela timbragem. É um maxixe, um corta-jaca mesmo, que mais uma vez nos remete à tradição do século 19 para o 20. A introdução do acordeom dá um elemento regional muito forte. O Brasil tem uma história muito bonita com o acordeom que vai desde a música gaúcha, passando pela música nordestina e também pelo que se chamava de conjuntos regionais do Rio de Janeiro e São Paulo. Achei interessante porque nunca tinha ouvido uma música ‘amaxixada’, um maxixe, um corta- jaca bem no estilo da Chiquinha Gonzaga, ao som do vibrafone. Aqui se nota que o grupo está buscando novas sonoridades, porque quando o violão vem à frente, normalmente ele vai buscar o protagonismo em uma região aguda, mostrando o seu potencial de solo. Aqui o vibrafone vai para a harmonização e tem um solo de violão em todas as notas graves. É o que chamamos, em violão de sete cordas, de baixaria. Isso é uma contribuição que acho que só vi no Brasil e na música brasileira. É uma ideia de que o violão pode assumir o papel das notas graves, do contrabaixo, de uma maneira muito ágil. Isso é uma característica do choro, que ficou muito bacana nessa faixa.”

FAIXA 6 “Feirinha no Apinagés”, de Ricardo Valverde e Luizinho 7 Cordas

“Essa faixa está bem próxima da anterior, na medida em que também é um maxixe de festa. O maxixe tem essa importância na música brasileira porque foi nele que a música urbana se organizou em forma de dança, que aliás na época era considerada uma coisa provocativa e sensual, mas é por causa dessa síncope africana. Aqui se vê um ambiente de festa que pode ser urbana, rural ou quase junina também. Tudo com um tempero bastante contemporâneo, pois tem um grande uníssono, uma melodia que os instrumentos fazem juntos, uma característica que eu ouço muito na obra do Hermeto Pascoal. É uma brincadeira desse vai e volta numa reinvenção das tradições brasileiras.”

FAIXA 7 “Flor de Sal”, de Ricardo Valverde e Bia Góes

“Nessa faixa vamos para uma região próxima das anteriores, com a diferença que o trio faz uma modinha de viola. Como as notas caminham de uma maneira muito próximas umas das outras, em que os intervalos não são grandes, a melodia é altamente cantável. Por isso, lembra muito a moda de viola caipira. Parece que estou ouvindo uma releitura das partes As e Bs das criações, por exemplo, do Alvarenga e Ranchinho. São melodias que estão contando uma história. É muito interessante ouvir isso com essa instrumentação, É uma modinha de viola interiorana muito bonita.”

FAIXA 8 “Do Outro Lado do Quintal”, de Ricardo Valverde e Juliana Valverde

“Mais uma vez visitamos a região dos primórdios do samba e do maxixe, com a presença do acordeom. O interessante nessa faixa, e no disco todo, é o comportamento flautista do vibrafone. Todas essas melodias que estamos ouvindo são mais frequentes na articulação da flauta e na articulação do bandolim, instrumentos solistas do choro. Nessa faixa, a movimentação é trazida para o vibrafone. O vibrafone tem esse som angelical, sempre muito doce, é um instrumento que não é agressivo, muito ao contrário. Geralmente ele traz o ouvinte para perto, para uma audição que tem esse caráter íntimo. Esse não é um disco de execução simples, porque as melodias, na flauta e no bandolim, são executadas com os dedos muito próximos, nas articulações. Essas melodias no vibrafone requerem um esforço técnico. É muito interessante essa ideia de trazer uma nova instrumentação para uma linguagem tão bem estabelecida na música brasileira.”

NOITE

FAIXA 9 “Candinha”, de Ricardo Valverde

“É a primeira vez no disco que ouvimos algo plugado na tomada. Você não pode falar que é uma música elétrica, mas temos aí um baixo elétrico e uma guitarra elétrica, mas com um timbre bastante envelopado, com uma sonoridade velada. Isso foi bastante usado nos anos 1950, quando esses instrumentos foram descobertos e contribuíram para a música brasileira. Esse choro já me remete mais à onda do Radamés Gnattali e à algumas coisas do K-Ximbinho também. Apesar de os instrumentos serem ligados na tomada, os timbres não competem pelos agudos e criam essa atmosfera morna muito bacana.”

FAIXA 10 “Choro pra Bia”, de Ricardo Valverde

“Esse é um disco de melodias incessantes. A faixa é bacana porque a melodia tem arpejos largos que se respondem como se fossem cânones. Gosto muito de músicas que mostram o instrumento. Esse choro tem na própria composição uma primeira parte que é um arpejo agudo e depois vem um arpejo grave. Então, se cria essa longa timbragem que é sempre bonita e surpreendente. Quem usa muito bem isso é o Milt Jackson. Às vezes ele está sempre no agudo e de repente ele toca uma nota grave, que faz você pensar que ela não existe no vibrafone. Mas tem. É que ele a reserva para um momento em que consegue chamar aquele timbre cheio. Achei essa música bem bacana. São faixas em que os instrumentistas optaram por um caminho menos fácil. Como o vibrafone tem um caráter meio hipnótico, com um som metálico, muitas pessoas optam por deixar para ele os ostinatos, ou seja, as notas repetidas que vão criando uma coisa mântrica. Mas o compositor desse disco não quis isso. Ele quis justamente explorar a capacidade melódica e rítmica do vibrafone. Ele poderia ter se acomodado um pouquinho tendo, por exemplo, um pandeiro. Porque o disco todo é um disco de choro. O choro nem sempre teve o pandeiro. No século 19, ele não tinha o pandeiro. Depois que o pandeiro entrou, fazendo a rítmica simples, ele deu aquela acomodada geral para as pessoas tocassem sem precisar se dedicar a segurar as figuras rítmicas. Nesse disco, eles ousaram no sentido de ter as figuras rítmicas todas divididas entre os três instrumentistas. ”

FAIXA 11 “Verão 58”, de Julio Valverde

“É a primeira faixa do disco em que eles fazem quase uma jam session, pois tem a improvisação dos três. Não acho que a improvisação é uma coisa importante na música brasileira. É uma questão de opção. Estou curtindo estar ouvindo um disco sem ser baseado no comportamento jazzístico. Não conheço essas composições, não sei se é do autor do disco, mas me remeteu muito à onda do Ary Barroso, com um tipo de melodia que tem um crescendo que ele usava tão bem. Na minha opinião, um dos maiores arquitetos da canção brasileira. Aqui há essa influência do Ary em uma faixa bem descontraída, onde eles se permitem entrar em uma jam session, primeiro improvisando sobre a harmonia e depois, no fim da faixa, fazem brincadeiras rítmicas onomatopaicas, que se percebe serem criações bem da hora. É uma coisa que fazemos muito em ensaios e é sempre bom levar isso para o disco porque mostra a atmosfera descontraída. ”

FAIXA 12 “Passos”, de Julio Valverde

“Uma faixa bastante jobiniana. Quando entra só a guitarra, a gente fica esperando a voz do João Gilberto. O vibrafone fica na primeira oitava, a mais grave, que dá uma coisa mais tranquila, relaxada, menos histriônica. Tem a ver com essa contenção econômica da disciplina e da dinâmica como expressão. É uma faixa que é exatamente uma bossa nova jobiniana, em que o vibrafone ficaria mais confortável dentro do que a gente está acostumado a ouvir, com essa capacidade de ficar dentro das harmonias da bossa nova, que tecnicamente tem as quintas aumentadas, a nona diminuída, e isso soa muito bem no vibrafone. Essa canção tem os espaços e os andamentos necessários para a gente poder ouvir a dissonância dentro da consonância. ”

Guga Stroeter na sala de sua casa, em São Paulo ouvindo o CD "Trios" (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Guga Stroeter na sala de sua casa, em São Paulo ouvindo o CD “Trios” (Foto: Carlos Bozzo Junior)

AVALIAÇÃO PONTUAL

INTÉRPRETES

“Muito bom.”

COMPOSIÇÕES

“Muito bom. É um disco basicamente de composições. Não sei de quem são, mas ouvindo penso serem do próprio vibrafonista. Esse é um disco manifesto de composições dentro de uma tradição brasileira.”

HARMONIA

“Muito bom.”

RITMO

“Bom.”

MELODIA

“Muito bom.”

ARRANJO

“Muito bom.”

SOM (CAPTAÇÃO, MIXAGEM E MASTERIZAÇÃO)

“Muito bom.”

CONSIDERAÇÕES GERAIS

“Esse é um disco brasileiro, do sudeste. A gente- músicos de minha geração-, que cresceu ouvindo o Hermeto, sempre tem o elemento nordestino como uma coisa muito forte. Há uma coisa de retomada de uma tradição brasileira dentro de uma nova perspectiva. O que acho muito interessante é criar álbuns de música instrumental para o cidadão que não é músico. Esse é um disco que funciona muito para isso; é uma maneira de nós, instrumentistas, aprendermos a trazer o público para dentro dessa música e darmos nosso recado. Fui assistir a banda Mantiqueira e eles têm uma excelência musical, com qualidade de composições, arranjos e interpretações, mas não é música só para músico. É uma música na qual você tem um grau de reconhecimento. Acho que esse é um caminho muito interessante de você trazer o público para si. Gosto de obras concisas. Isso me lembra muito do tempo do vinil, que acho que tinha no máximo uns 32 minutos dos dois lados, e por essa restrição técnica o músico era obrigado a mandar o recado naquele tempo menor. Gosto de pensar assim também. Meu último espetáculo, que teve uma hora e meia, foi reduzido para 37 minutos. Essa ideia do minimalismo tanto no tamanho da obra, quanto no número de instrumentos, é uma coisa que é grande. Quanto menos instrumento você tem, cada um toda mais. Em um álbum de poucos instrumentos,você ouve tudo o que está acontecendo. Esse é um belo disco de vibrafone.”

CD REVELADO

Após a audição às cegas, foi revelado ao músico Guga Stroeter que “Trio” é o segundo disco de seu companheiro de instrumento Ricardo Valverde, assim como todas as outras informações sobre o disco, seus participantes, ficha técnica, capa e encarte.

Diante das revelações, Stroeter complementou sua avaliação. “Não fazia ideia de quem era. Estou vendo que minha audição se aproximou, na medida em que o disco foi progredindo, do modo como eu acho que ele foi concebido. Na medida em que ele é um álbum autoral, de compositor brasileiro que busca ter uma variação interna tanto de timbre quanto de estilos, mas sem jamais perder a unidade expressiva. Gosto dessa ideia da retomada da tradição para ir adiante. É isso que muitas culturas estão fazendo. Se você pensar no jazz norte-americano, na geração do Wynton Marsalis, foi sempre muito adiante, mas sempre retomando a tradição. Vejo agora que há uma faixa aqui chamada ‘Revendo o Passado’, acho que essa é a tônica do álbum . Para mim, música tem usos. Quando ouço música, quero uma atmosfera, e quando você consegue ter em um álbum uma atmosfera, você não pode ter o caminho repetitivo porque fica maçante, mas você vai fazer o uso daquela música dentro da sua psicologia e gosto. E esse disco tem essa unidade que é uma contribuição grande para a pequena história do vibrafone no Brasil.”

Perguntado se há espaço para esse disco no mercado, Guga Stroeter respondeu: “Não acho que há lugar no mercado para nada, hoje. Não estou sendo apocalíptico, mas é como vejo. Desde a revolução digital, a música deixou de ter a gravadora comercial que a fazia ser tocada no Brasil todo, no mesmo dia, em todas as rádios. Isso já não existe, portanto estamos todos no mesmo barco, em busca de nichos. Vivo muito próximo do mundo da música instrumental e a nossa vida, como a vida de qualquer músico, tem um grau de batalha. Faz parte dela trazermos essas coisas, fazermos o que acreditamos, e acharmos o mercado. O mercado existe, ele está difuso, foi pulverizado. Não acho que essa música seja especialmente difícil de se ouvir, como outras coisas que ouço e gosto também como o free jazz ou a experimentação que há por ai. Esse disco explora a questão do presente e passado. Tem obras que exploram os conflitos entre os sons musicais e os sons não musicais, como os ruídos. Também gosto dessas obras. Esse trabalho tem um espaço muito parecido com o espaço que eu busco com minha música. Acho que estamos todos na mesma vibração e isso é muito positivo. Disse em minha primeira frase que parecia apocalípitico, mas na verdade sou muito otimista porque nunca vi uma geração de instrumentistas com essa qualidade que estou vendo em São Paulo, onde moro. É inacreditável! A cada dia chega um cara que você nunca ouviu falar, um menino que vem de Manaus, outro do interior, um baterista de Santa Catarina, todos com pouca idade, mas prontos. Eles tocam, leem e improvisam confirmando que estamos vivendo uma explosão de talentos, mas precisamos capitalizar isso e transformar em cultura e em negócio. É muito bem-vindo esse trabalho do Ricardo Valverde. Gostei muito dessa sua escolha para que eu a avaliasse. Somos poucos vibrafonistas, mas vamos dominar o mundo”.

AVALIAÇÃO DE GUGA STROETER

“Muito bom”

Capa do CD "Trios", de Ricardo Valverde (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Capa do CD “Trios”, de Ricardo Valverde (Foto: Carlos Bozzo Junior)

CD TRIOS
ARTISTA Ricardo Valverde
GRAVADORA Baticum Discos
QUANTO R$ 25

SHOW DE LANÇAMENTO DO CD TRIOS
QUANDO Amanhã, quinta-feira (9), das 20h30 às 22h
ONDE Sesc Vila Mariana, r. Pelotas, 141 – Vila Mariana (Metrô Ana Rosa), São Paulo, tel.(11) 5080-3000
QUANTO De R$ 6 a R$ 20