Banda mais antiga de São Paulo continua na ativa

Por Carlos Bozzo Junior
A banda mais antiga de São Paulo (Fotomontagem: Carlos Bozzo Junior)
A banda mais antiga de São Paulo (Fotomontagem: Carlos Bozzo Junior)

A avenida Paulista, que ontem (8) completou 125 anos, e seu irmão um ano, um mês, e dois dias mais novo, o Viaduto do Chá (6/11/1892), foram inaugurados ao som dessa banda. O Theatro Municipal de São Paulo também contou com seu som em sua abertura, a 12 de setembro de 1911. Na semana de inauguração de Brasília foi a música dessa mesma banda que ecoou pelos vastos espaços adornados por Oscar Niemeyer (1907-2012).

No próximo dia 21, essa que é a banda mais antiga atuando no Estado de São Paulo, se mostra maior e pós-modernizada em concerto que realizará na Sala São Paulo, em comemoração aos 185 anos da Polícia Militar. Ela é a Banda de Música da Polícia Militar, que em 2017 completa 160 anos de atividade e integra o Corpo Musical da instituição estadual.

O Música em Letras esteve no ensaio da Banda Sinfônica, que conta com 55 músicos, e entrevistou o regente e comandante do Corpo Musical, o major músico PM Elias Batista do Nascimento. A banda é uma das seções do Corpo Musical da PM, formado ainda por uma jazz band, com 19 integrantes; um quinteto de metais; um quinteto de cordas e um coral masculino, formado por 15 integrantes.

Leia, a seguir, sobre a história do Corpo Musical, sua função, o atual comandante e seus músicos, que receberam, só em maio deste ano, a primeira mulher a integrar a banda, a soldado Luana Adelina Moreira, 26, flautista desde os 15 anos de idade.

Assista, no final do texto, ao vídeo no qual a Banda Sinfônica da PM executa, exclusivamente para este blog, a música “The Magnificent Seven Theme”, de Elmer Bernstein (1922-2004), com arranjo do subtenente PM Marcos Roberto. O tema, trilha sonora do filme “Sete Homens e um Destino” (1960), ficou conhecido no Brasil, como trilha de comerciais dos cigarros Marlboro.

GÊNESE

A sede do Corpo Musical da PM, que conta com um teatro em reforma, além de uma área destinada ao corpo administrativo, fica no prédio em frente à igreja de Santo Expedito, na rua Jorge Miranda, 367 A, bairro da Luz, na capital paulista.

No saguão do edifício, duas grandes vitrines possibilitam ao visitante conhecer discos, partituras e instrumentos, itens da memorabilia do Corpo Musical da PM .

Em uma das paredes há um pequeno quadro (assista vídeo no final desse parágrafo) com a cópia do documento que oficializou a banda. Em seus dizeres, grafado com uma caneta marca texto, lê-se: “A Banda de Música “Corpo dos Municipais Permanentes” foi criada em 07 de abril de 1857, pela lei nº 575. A lei, em seu artigo 5º, estabelecia: “Fica aprovada desde já a criação da Banda de Música existente no Corpo de Municipais Permanentes, sendo ela composta de um mestre, com graduação de 1º sargento e salário correspondente ao mesmo, e 17 músicos com salário e mais vantagens dos soldados”.


Conforme descrito no documento, a história da banda inicia-se com um mestre, mas com o passar do tempo ela foi ganhando outros elementos, com a Polícia Militar criando um quadro de praças músicos e oficiais músicos. Hoje, extinto o quadro de músicos e de mestres, todo policial militar que queira participar como músico, tendo habilidade para isso, pode integrar o Corpo Musical. O título de mestre, hoje, é de quem conduz a seção de banda e não o comando do Corpo Musical.

Atualmente, a Banda Sinfônica da PM, que já gravou cerca de 15 discos entre compactos simples, duplos e LPs, está dividida em secções de sopros, madeiras, metais, cordas, percussão e um piano. No grupo das madeiras, flautas transversais, piccolos (flautim), clarones (tenor, baixo e contrabaixo), clarinetas, oboés, fagotes, saxofones (alto, tenor, barítono e o raro sax baixo). No grupo dos metais, há trompas, trompetes, trombones, eufônios (bombardino) e tubas. Nas cordas há apenas dois contrabaixos acústicos e uma guitarra, enquanto na percussão, bateria, tímpano e vários outros formam a secção, entre eles um piano que em uma orquestra é colocado na secção de percussão, a menos que seja um concerto solo.

REGENTE

No primeiro andar do prédio da sede do Corpo Musical da PM, salas, em sua maioria envidraçadas, abrigam seus integrantes. Na sala do comandante, o Música em Letras foi recebido pelo major Nascimento, 51, como prefere ser tratado o regente da Banda Sinfônica da PM e comandante do Corpo Musical, que nasceu em Santo André, no ABC paulista.

O major Nascimento está na PM há 31 anos, e há um ano e meio é o comandante do Corpo Musical. Antes dele, 18 oficiais ocuparam o cargo. Vários comandantes do Corpo Musical foram compositores. O primeiro deles, major Joaquim Antão Fernandes (1864-1949), idealizador da Banda Sinfônica, partiu para a Europa em abril de 1889, em uma viagem de estudos musicais. São composições de Antão a “Rapsódia Paulista”, “Marcha Batida do Hino Nacional Brasileiro”, “Aurora da Liberdade” e “Fantasia de Ceci Peri”. “A banda tem um repertório rotativo e dependendo da apresentação, executamos as peças”, falou o comandante dos 181 policiais músicos que integram o Corpo Musical.

Eclético, major Nascimento disse gostar de todo tipo de música, desde que seja boa ,“do popular ao erudito”, completou. Indagado sobre o que mudou desde seu ingresso na banda, o major, que aprendeu a tocar eufônio, um instrumento de sopro, em uma igreja evangélica, disse que houve uma melhora muito grande com relação ao preconceito. “No primeiro dia em que me apresentei na banda, fui tratado como mais um ‘irmãozinho’, isso dito pejorativamente pelo fato de eu ser evangélico. Hoje, isso não acontece mais”, falou o oficial que integra os mais de 90% de músicos da banda ligados a essa igreja, e que formam o Corpo Musical. Atualmente, o major Nascimento disse não ter queixas a fazer, pois o Corpo Musical, segundo ele, “está assessorado e apoiado plenamente pelo comando e pela sociedade da qual fazemos parte”.

Aos 15 anos de idade o major Nascimento se matriculou em um curso técnico do Conservatório Villa-Lobos, em São Paulo, onde permaneceu tocando bombardino até os 19 anos, quando ingressou na PM. “Devido ao meu ingresso na PM não concluí o curso, pois fui para o interior”, contou o músico, que a partir desse momento mudou de instrumento.

Jovem, major Nascimento foi para o quartel do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior, em Bauru, onde formou-se soldado. “Lá, precisavam de corneteiro. Apresentei-me como músico e passei a exercitar a corneta, peguei gosto e comecei a estudar trompete”, falou o regente que toca esse instrumento até hoje, aos sábados, acompanhado de sua mulher (saxofonista alto) na igreja evangélica que frequentam. “O pessoal da igreja tem tolerância e consideração comigo e ainda me deixam tocar nos cultos.” Perguntado se o toleram por ser policial, mesmo se estiver com o “bico mole” (gíria para o músico sem embocadura), o major disse rindo: “Não, ainda dou conta do recado”.

Major Nascimento estudou regência no Conservatório de Tatuí, com o maestro Dario Sotelo, especialista e doutor em regência de banda sinfônica. A partir daí, o major não perde por nada os seminários de regência que acontecem no conservatório. “Compareço todos os anos em busca de aprender e me aprimorar com os maestros que vêm do exterior para o seminário.”

O regente e comandante do Corpo Musical, major músico PM Elias Batista do Nascimento (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O regente e comandante do Corpo Musical, major músico PM Elias Batista do Nascimento (Foto: Carlos Bozzo Junior)

FILHOS DE PEIXE, PEIXINHOS SÃO

Durante um bom tempo, a casa do major parecia um conservatório. Seus filhos também enveredaram pelos caminhos da arte que amealha os sons e são músicos profissionais. Daniel, 30, trombonista, estudou no Conservatório de Tatuí e na EMESP (Escola de Música do Estado de São Paulo), antes de tocar na Orquestra Sinfônica Jovem de São Paulo, para depois ingressar na Força Aérea Brasileira, onde atua como segundo sargento músico da Banda de Música da Base Aérea de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos; Diego Nascimento, 28, flautista, também estudou no Conservatório de Tatuí e na EMESP, e atua na Orquestra Sinfônica de Heliópolis sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky; Douglas, 20, trompista, que repete os caminhos musicais percorridos pelos irmãos, estuda no Conservatório de Tatuí para, quando finalizar os estudos, seguir carreira militar; completa a prole o caçula Davison, o único que optou por um instrumento de corda, tocando viola. “Viola de orquestra e não viola caipira”, disse o pai orgulhoso.

GAFE NA PRIMEIRA APRESENTAÇÃO

Quando recruta, o major Nascimento realizou seu primeiro serviço na banda em uma apresentação no Palácio do Governo, ocasião marcada por uma gafe. “Cheguei de caminhão. Todo mundo desembarcou, mas como eu estava empolgado e ansioso por tocar pela primeira vez na banda desci do veículo com o trompete ainda dentro do estojo. Não percebi que todos já estavam com os instrumentos na mão”, contou o major que, na hora, percebeu o erro e saiu correndo, fardado, atrás do caminhão, que já partia. Chegando próximo do veículo arremessou o estojo para dentro dele, quase recebendo uma leve punição por isso. “Depois dessa, nunca mais esqueci”, disse rindo.

PRIMEIRA MULHER DA BANDA

O ingresso no Corpo Musical depende de um teste de qualificação em que uma peça musical escolhida pelo candidato é apresentada, além de uma leitura à primeira vista de uma partitura e a execução de escalas maiores e menores. Músicos fracos são sumariamente reprovados. “Tem que ter uma boa base. Costumamos dizer quando o sujeito é ruim, por exemplo, que ele como trompetista é um excelente policial militar”, falou rindo Major Nascimento.

Segundo o líder do Corpo Musical, antes de maio de 2016, não havia ninguém do sexo feminino entre os músicos da instituição, pois a procura por parte das mulheres não acontecia. “ Tudo mudou a partir deste ano, quando a soldado Luana se apresentou, foi aprovada e ingressou no banco de dados para ser movimentada; o setor de movimentação da Polícia Militar a movimentou e ao ingressar na banda ela tem se mostrado uma excelente flautista.”

A flautista Luana iniciou seus estudos musicais, na cidade de Salto Grande, divisa de São Paulo com o Paraná. Na cidade vizinha, Ourinhos, Luana ingressou na Escola Municipal de Música. “Antes de me formar entrei na polícia e tive que me mudar para São Paulo. Só depois de cinco anos aqui em São Paulo, apresentei-me para o Corpo Musical, realizando o teste de admissão. Fiquei bem nervosa, porque sou tímida, mas passei no teste tocando uma peça do filme “Indiana Jones” e estou muito contente por isso”, falou a instrumentista.

Perguntada sobre qual a sensação de ser a primeira mulher a ingressar no Corpo Musical, formado estritamente por figuras masculinas durante 159 anos, a soldado mencionou a palavra: responsabilidade. “Senti que devo ter muita responsabilidade por estar nessa posição. É uma grande honra integrar essa parte da polícia, que muita gente ainda não conhece, e sendo a primeira mulher a responsabilidade parece ser maior”, disse a estreante que segunda ela, nunca sofreu nenhum tipo de assédio ou brincadeira por parte dos companheiros de banda. “Só se for nas minhas costas, porque nunca vi ou ouvi nada. Todos me receberam muito bem. Eles são muitos gentis e solidários. O pessoal do meu naipe [flautas], e de outros naipes também, me ensinam e ajudam bastante”, contou Luana que, durante a temporada de concertos, ensaia das 8h às 16h todos os dias.

O instrumento de Luana é uma flauta de prata (bocal, corpo e pé), com chaves abertas, da marca Yamaha, muito diferente em qualidade da flauta chinesa que usava para estudar. “Esse é um ótimo instrumento. Chegou em minhas mãos novinho, porque foi muito bem cuidado pelo outro integrante da orquestra, que se aposentou e o passou para mim. O instrumento fica como ‘carga nossa’ até quando eu integrar a banda. Espero repassá-lo nas mesmas condições”, disse a soldado que tem aulas particulares, via Skype, com a musicista Gilonita Dias Pedroso, que mora na França. Entre suas preferências por gêneros musicais, a flautista destaca o choro, em especial os compostos por Pixinguinha (1897-1973) e Altamiro Carrilho (1924-2012).

A soldado flautista já realizou dez concertos com a Banda Sinfônica, sendo o primeiro na Sala São Paulo, onde se apresentará novamente no dia 21. “Tremi bastante, mas deu para tocar. Fico nervosa até hoje quando as flautas ficam em evidência, porque quem vai à Sala São Paulo entende de música”, disse rindo.

A soldado Luana e o major Nascimento (Foto: Carlos Bozzo Junior)
A soldado Luana e o major Nascimento (Foto: Carlos Bozzo Junior)

MÚSICOS POLICIAIS

Músicos do Corpo Musical da Polícia Militar não são obrigados a terem a carteira da OMB (Ordem dos Músicos do Brasil). “Alguns têm, mas não fazemos essa exigência”, falou o major Nascimento.

Para o Comandante do Corpo Musical, o que diferencia um músico policial de um não policial é apenas a função que cada um ocupa na sociedade. “A música em si dá uma certa liberdade para quem é profissional dessa área, mas acredito que o músico policial, pela disciplina e base hierárquica, difere do não policial. Contudo, em termos musicais e artísticos, não existe diferença. Nos preocupamos muito em interpretar e fazer uma boa música para transmiti-la da melhor maneira para o público. Penso que isso é artisticamente igual para todos.”

Entre alguns músicos que enveredaram pelo caminho da música sem farda, além de um sargento músico PM, tubista, que toca na Orquestra Sinfônica de Manaus, há o trompetista Cebolinha, integrante da Traditional Jazz Band, que também passou pela Banda Sinfônica da PM. “Hoje só vêm aqui para tomar cafezinho. Outro dia, fizemos um encontro com veteranos e eles tocaram conosco.”

Compositores não faltam no Corpo Musical. Como lidar com tanta produção? “A gente faz a fila e vai ouvindo um por um, arranjo por arranjo, composição por composição, pois temos que dar atenção a todos”, contou o major Nascimento, destacando o nome do cabo Reginaldo Budai, 45, como um dos exímios arranjadores da banda.

O salário de cada músico é diferente por estar vinculado a sua posição na corporação, como qualquer outro policial de carreira. Para o regente e comandante, um bom músico é aquele que coloca seu talento acima de qualquer coisa, menos da própria música. “Ele tem que se sujeitar ao estudo e à dedicação. Esse é o melhor músico que pode existir.”

O Corpo Musical é uma unidade de apoio da Polícia Militar. Em manifestações populares e em grandes eventos como nas eleições e no carnaval, há músicos policiais patrulhando, assim como na Operação Verão que ocorre todos os anos no litoral de São Paulo.

A PM mantém um projeto de valorização do policial militar envolvendo a música, que atende o policial dentro de seu batalhão, assim como a comunidade do entorno. “A banda se apresenta para os policiais quando há troca do turno de serviço, para aliviar o stress e a agitação que eles tiveram de enfrentar e promovermos um clima mais tranquilo e de descontração. No dia seguinte, a banda vai para a mesma região e batalhão desse policial e, escolhida uma praça pelo comandante dessa unidade, a banda também se apresenta para o público. Mas antes, realizamos um policiamento de visibilidade, durante duas horas, com patrulhas formadas por dois policiais que caminham pelas redondezas.”

Banda Sinfônica da PM sob regência do major Nascimento (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Banda Sinfônica da PM sob regência do major Nascimento (Foto: Carlos Bozzo Junior)

INSTRUMENTOS

A aquisição dos instrumentos musicais da banda, todos importados e de alta qualidade, acontece por meio do processo regular de licitações do Estado. Instrumentos avariados vão para o conserto. “Instrumentos costumam ter uma durabilidade grande, um tempo bom de vida. Por isso, uma compra de instrumentos ocorre apenas entre cinco a oito anos”, disse o major Nascimento.

Instrumentos passam de mãos em mãos na banda. A responsabilidade sobre eles é do músico que o utiliza. Chamados de “detentores usuários”, os músicos assumem o compromisso de zelar pelo material (instrumento musical) do Estado, assim como de realizar a manutenção.

“Caso o instrumento seja danificado, o músico deve elaborar um documento através de seu chefe imediato. Apresentado o defeito ou avaria, será verificado se isso ocorreu por acidente ou por descuido do músico. Abre-se uma portaria de sindicância que apura se é o músico quem deve ou não pagar o custo do reparo a ser realizado.” Não há doações de instrumentos musicais por parte de fabricantes ou lutiers. “Os nossos foram todos adquiridos pelo processo normal de licitação. Acredito que hoje seria muito difícil para um fabricante doá-los pelo fato de serem muito caros”, disse o comandante.

APRESENTAÇÕES

O Corpo Musical da Polícia Militar, no passado, tinha a função de levar entretenimento aos praças aquartelados. Hoje, esse privilégio deixou de ser das tropas e a banda integrou-se completamente à comunidade. Além de participar de inaugurações e em solenidades militares, o corpo musical realiza cerca de 100 apresentações por mês, participando de vários tipos de eventos.

O hit da banda é o “Hino Nacional”, de Francisco Manuel da Silva (1795-1865) e letra escrita por Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927). “É incontável o número de execuções desse hino que realizamos, em toda abertura de solenidade ele é tocado, sem dúvida é a música que mais tocamos”, disse o major Nascimento.

Em alguns casos, a banda atende pedidos do público. Foi o que ocorreu no dia em que o Música em Letras fez seu primeiro contato com a banda, por meio do tenente músico PM Jassen, que a regia, na praça coronel Fernando Prestes, no bairro do Bom Retiro, no centro da capital. É nesse local que os músicos da PM se apresentam, gratuitamente, de quinze em quinze dias, sempre às sextas-feiras, das 12h às 13h. Mas se chover não há apresentação.

Embora no dia em que o blog esteve na praça a banda tenha executado músicas de Eric Clapton, MPB e sucessos como “New York New York”, em meio a dobrados, marchas militares e hinos pátrios, o pedido final da platéia foi, sim, o Hino Nacional, que ao ter sua introdução executada fez cerca de 50 pessoas que assistiam a apresentação se levantarem das cadeiras de plástico ali colocadas para o evento.

A banda paga direitos autorais para executar músicas que não são de domínio público. “Por exemplo, se vamos tocar essas peças em um teatro, em um evento da Polícia Militar, a PM recolhe os direitos junto ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) e realiza o pagamento. Outro tipo de situação, como o programa de concertos matinais da Sala São Paulo, é a Sala São Paulo quem paga essa taxa”, explicou o major Nascimento.

Perguntado se há restrições de músicas ou gêneros, tais quais funk ou sertanejo, para serem executados pela banda, o comandante disse ser uma questão delicada. “Temos um zelo pela instituição. Fazemos uma triagem do que é sugerido e optamos pela música aprovada e selecionada pela sociedade, de forma geral. Utilizamos o critério do bom senso”, disse o regente da banda que se apresenta com seis tipos de fardas. Todas se diferem em cor e estilo, e são usadas de acordo com o evento.

ENSAIOS ABERTOS

O major Nascimento conta com o apoio de dois músicos PMs, o tenente Jassen e o subtenente Vilas Boas, para ensaiar a banda, conduzindo-a com base em uma forte disciplina. Perguntado se era severo como maestro, o major Nascimento respondeu: “A música exige disciplina. Por isso, ao preparamos uma obra, exijo concentração absoluta, e estudo bem realizado sobre ela, para que possamos fazer um trabalho de refinamento com a banda, apurando dinâmica e interpretação. Sou exigente, mas minha exigência não me desequilibra”, falou o maestro que também é responsável pela função administrativa do Corpo Musical, exercida durante as primeiras horas do expediente.

Às 9h, o regente já está de batuta empunhada diante da estante para conduzir o ensaio da banda até 12h. Retorna às 14h e realiza o trabalho separado de naipes. “Devido ao desgaste do período da manhã, agrupamos os músicos em naipes na parte da tarde, em busca de um rendimento maior no desempenho das partituras”, disse o comandante que devido ao grande volume de trabalho como regente, aliado ao administrativo, deixa a sede do Corpo Musical, muitas vezes, à noite. “Mas o resultado é sempre muito satisfatório.”

Resultado esse que pode ser conferido aceitando-se o convite para assistir aos ensaios do Corpo Musical da PM feito pelo próprio regente e comandante: “Convido toda a sociedade e a comunidade para nos assistir ensaiando. As portas do Corpo Musical estão sempre abertas para recebê-los em nossa sede, de segunda a sexta, das 9h ao meio dia e das 14h às 16h.”

CONCERTO

No repertório de 12 músicas do concerto, que acontece dia 21 na Sala São Paulo, a Banda Sinfônica da PM, aliada a cantores de coral (cerca de duzentas figuras no palco), apresentam “Libertango”, de Astor Piazzolla (1921-1992), com arranjo de Diego Nascimento; “Concerto para quatro Trompas”, de Robert Shumann (1810-1856), com regência do maestro Dario Sotelo; “Segura Ele”, do mestre Pixinguinha, com arranjo de Nailor Azevedo, o Proveta da Banda Mantiqueira; e “El Camiño Real”, de Alfred Reed (1921-2005).

Para o major Nascimento não há público bom ou ruim.“Para mim há pessoas mal informadas. São as pessoas que não vão ao teatro”, disse o regente que espera que estejam presentes na Sala São Paulo, na noite do concerto, pessoas inspiradas pela simples vontade de ouvir o som de uma banda que há muito trabalha, com afinco, para os ouvidos da população civil e aquartelada.


CONCERTO DA BANDA SINFÔNICA DA PM
QUANDO Quarta-feira, dia 21 de dezembro, às 20h
ONDE Sala São Paulo, Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos, São Paulo, tel. (11) 3367-9500
QUANTO Gratuito, mediante consulta de disponibilidade de ingressos com o Centro de Comunicação Social da PM, tel.(11) 3327-7063/7064