Movimento Black Rio ganha registro de sua história

Por Carlos Bozzo Junior
Capa do livro "1976- Movimento Black Rio 40 Anos" (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Capa do livro “1976- Movimento Black Rio 40 Anos” (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Irmão da Jovem Guarda e do Tropicalismo, o movimento Black Rio, igual a seus “old sister and brother”, influenciou gerações de artistas, promovendo um mix suingado entre samba, MPB e elementos do soul norte-americano.

No livro “1976 – Movimento Black Rio 40 anos”, recém-lançado pela editora José Olympio, os jornalistas Zé Octávio Sebadelhe e Luiz Felipe de Lima Peixoto contam, em cerca de 200 páginas, os caminhos percorridos pelo relevante movimento surgido nos bailes de black soul dos subúrbios cariocas, antes de ganhar o território nacional.

Na obra, fica claro que o movimento Black Rio contribuiu para transformar, vasta e fortemente, a música, a dança, a moda (sapatos, roupas, cosméticos, produtos capilares), a indústria fonográfica, a técnica de som e o entretenimento, além de promover a afirmação do orgulho negro, mudando costumes, comportamentos, e a maneira de falar e ouvir um som.

Com base em entrevistas realizadas com profissionais ligados ao movimento- discotecários, artistas, produtores de bailes-, e pesquisas em periódicos, aliado a uma bela iconografia, o livro chega a produzir som na cabeça de quem o lê.

Entre os sons citados, o da banda Black Rio, dos cantores Hyldon, 61, e Gerson, 73, que hoje ataca com sua banda Supergroove e com o Dj Ronaldo Groove; além de Tony Tornado, 86; Tim Maia (1942-1998); e Jorge Ben Jor, 71. Gente com filosofia musical semelhante à do saudoso saxofonista tenor Oberdan Magalhães (1945-1984) que, segundo o baterista Ivan Conti, 70, o Mamão do grupo Azymuth, “buscava uma música instrumental brasileira com os ritmos mais groovados do soul”.

Quarenta anos depois de eclodir, o movimento Black Rio confirma o previsto pelo mestre Gilberto Gil, em 1977. Segundo o livro, Gil afirmou que o movimento se desenvolveria se o deixassem em liberdade: “A mesma coisa foi [com a] Jovem Guarda, foi [com o] Tropicalismo. Eu digo que o movimento Black Rio é coirmão deles todos. Veja o que foram os outros, veja o que vai ser Black Rio. Vai acontecer com ele o que deixarem que aconteça”.

E aconteceu! Leia tudo na obra e não se preocupe se você sair dançando e cantando com um sorrisão estampado no rosto. Memórias alavancadas com suingue são divertidas, ótimas e saborosas de serem revistas.

1976- MOVIMENTO BLACK RIO 40 ANOS
AUTORES Zé Octávio Sebadelhe e Luiz Felipe de Lima Peixoto
EDITORA José Olympio
QUANTO R$ 59,90 (252 págs.)
AVALIAÇÃO Muito bom