Choro fácil de engolir

Por Carlos Bozzo Junior
Da esquerda para a direita, o baixista Marcel Bottaro, o baterista Rodrigo Digão Braz e o pianista André Marques (Foto: Divulgação)
Da esquerda para a direita, o baixista Marcel Bottaro, o baterista Rodrigo Digão Braz e o pianista André Marques (Foto: Divulgação)

Acontece nessa próxima quinta-feira (10), no Jazz B, em São Paulo, um show no qual o choro será tratado de maneira diferente pelo trio formado por André Marques (piano), Marcel Bottaro (contrabaixo) e Rodrigo Digão Braz (bateria).

O Música em Letras conversou com André Marques sobre o evento que, apesar de ter um repertório de choros tradicionais, certamente deve soar diferente do gênero musical que, entre muitos, consagrou o mestre Pixinguinha (1897-1973).

“A ideia é tocar choro, mas sem soar choro. É encaixar nele o conceito de Música Universal [termo criado por Hermeto Pascoal para uma música na qual se pode misturar vários ritmos, contrapontos, improvisos, elementos das músicas popular, folclórica e erudita], em uma formação que é tradicional do jazz”, disse o pianista que faz parte do grupo de Hermeto Pascoal desde 1994, e em homenagem ao mestre, está realizando um projeto de gravação de quatro CDs com grandes nomes da música mundial. O primeiro disco, “Viva Hermeto” (2015), contou com a participação de John Patitucci, no baixo e de Brian Blade, na bateria, ambos embalados pelo som do piano de Marques.

O pianista diversifica bastante ao trabalhar a música em diversas formações. Marques comanda, além do trio, uma pequena orquestra de música instrumental brasileira, a Vintena Brasileira, o André Marques Sexteto e o consagrado Trio Curupira.

“Tocar em trio é muito diferente do que em formações maiores, principalmente para o pianista, que tem mais trabalho. Na maioria das vezes, é ele quem fica com a função melódica, além da harmônica, enquanto que, em formações maiores, normalmente o pianista fica só com a função harmônica.”

O repertório do show da próxima quinta é composto, na maioria, por composições do gênero bem tradicionais. A diferença fica nos arranjos, na “roupagem”. “Por exemplo, tocaremos “Flor Amorosa”, de Joaquim Antônio da Silva Callado, em ritmo de maracatu; “Odeon”, de Ernesto Nazareth, em ritmo de chacarera; “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo e Os Oito Batutas [incluindo Pixinguinha], com influências da música erudita moderna e contemporânea. Tudo com muita improvisação.”

Essa é uma ótima oportunidade para se quebrar expectativas, pois apesar do repertório ser composto por choros, com as melodias de choro, tudo será tocado de uma forma muito diferente da tradicional, bem livre e com muito improviso, por um trio muito bem entrosado, e que é capaz de fazer qualquer um chorar de alegria diante de tanta musicalidade e emoção.

SHOW ANDRÉ MARQUES TRIO

QUANDO Quinta-feira (10), às 21h

ONDE Jazz B, r. General Jardim, 43, centro, tel. (11) 3257-4290

QUANTO R$ 35