Xando Zupo convoca fãs do rock para show

Por Carlos Bozzo Junior
O guitarrista e compositor Xando Zupo, que faz show no sábado (29), com grupo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O guitarrista e compositor Xando Zupo, que faz show no sábado (29), com grupo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

O guitarrista e compositor paulistano Xando Zupo, 48, foi das bandas Harppia e Patrulha do Espaço, antes de integrar a Big Balls, Zupo & Z Sides e a extinta Pedra. No show que realiza, no próximo sábado (29), no Sesc Belenzinho, em São Paulo, o compositor mostra que em 35 anos de carreira, tocando rock and roll (hard rock e heavy metal), o som com o qual mais se identifica é aquele que realizou com as bandas Big Balls e Pedra.

O Música em Letras esteve no ensaio do artista, que está atacando de “power trio” formado por ele, na guitarra; Marcião Gonçalves, 43, no contrabaixo; e Ivan Scartezini, 34, na bateria; além dos cantores Fernando Janson, 47, e Ricardo Alpendre, 45, o único que não nasceu em São Paulo. “Nasci na Mooca”, disse rindo o cantor, orgulhoso de sua origem.

Conheça, a seguir, mais sobre esses músicos excepcionais e as músicas do show, além de descobrir o que Zupo está preparando para o próximo ano. Assista, no final do texto, ao compositor tocando “Longe do Chão”, de sua autoria, com exclusividade para o Música em Letras.

Há cinco meses, Zupo e seu grupo ensaiam para o show do dia 29, religiosamente, todas as segundas-feiras, no estúdio em sua casa, na Vila Mariana. No entanto, a entrevista ocorreu no Orra Meu! Estúdios, que fica na Vila Gugu, como a Vila Gumercindo- zona sudeste de São Paulo- é chamada por seus moradores. “Como é o último ensaio antes do show, resolvemos fazer aqui, que é maior e muito mais equipado”, falou Zupo, que já experimentou vários tipos de droga, mas agora está “clean”.“Sábado, no dia do show, completo cem dias sem beber álcool. Já tomei, fumei e cheirei de tudo em dobro, porque nos anos 1980, tudo o que era um, era dois. Álcool, maconha, pó, ácido, chá de lírio e todo o resto, cara. Agora não uso nada.”

Com 15 anos, Zupo já tocava na noite e se escondia dos agentes do juizado de menores. “Tocava com a minha primeira banda, a Curto Circuito, em vários lugares. No Café Persona, Raibown, Yes Brazil, Woodstock e no Vitória Pub”, disse o músico que chegava da escola por volta de uma da tarde, plugava a guitarra e tocava até as 10 horas da noite.

A mãe de Zupo, produtora de shows musicais, entre eles, o “ O Fim da Confusão”, um encontro do mestre Sivuca (1930-2006) e Hermeto Pascoal, incentivava o filho. “Minha avó não sabia nunca quem era o Hermeto e quem era o Sivuca. Minha mãe montou esse show, em 1981, na USP, para acabar com o engano. Ela me dava uma força, trabalhei um tempo na produtora dela, mas comecei a trilhar meu caminho sozinho bem cedo. Carregava equipamento pro Norba Zamboni [guitarrista de blues] para ficar no show olhando os caras tocarem.”

Da esquerda para direita, Ricardo Alpendre, Fernando Janson, Marcião Gonçalves, Ivan Scartezini e Xando Zupo ( Foto: Carlos Bozzo Junior)
Da esquerda para direita, Ricardo Alpendre, Fernando Janson, Marcião Gonçalves, Ivan Scartezini e Xando Zupo ( Foto: Carlos Bozzo Junior)

MÚSICOS

O baterista Ivan Scartezini já tocava com Zupo desde o tempo da banda Pedra. “Toquei com vários bateristas, todos muito bons, mas o Ivan é o melhor para o trabalho que desenvolvo atualmente”, disse Zupo que há cerca de cinco anos agregou à dupla o som do baixista Marcião Golçalves. “O Marcião é um superbaixista, guitarrista e compositor. Me orgulho muito dele estar comigo nesse som. A Pedra deu um tempo de um ano e meio, em 2011, e algumas das músicas que entraram no disco ‘Fuzuê!’ [terceiro e último disco da banda, em 2015] vieram dessa leva de som que eu já estava fazendo com o Marcião e com o Ivan”, contou Zupo que juntou ao trio os vocais de Ricardo Alpendre (do grupo Tomada) e Fernando Janson, que canta no último single do artista, “Queimarás no Inferno”, música garantida no repertório do show. “Esses dois sabem contar as histórias que existem em minhas músicas, como ninguém”, disse Zupo. “Todos são ótimos músicos e péssimas pessoas”, completou rindo.

MÚSICAS

Das músicas que vêm da Pedra, “Longe do Chão”, que Zupo define como uma sonoridade que mescla o som do Rainbow- grupo formado pelo guitarrista do Deep Purple, Ritchtie Blackmore, em 1975-, com o de Beto Guedes. “Sempre achei isso, ainda que, na época em que a compus, eu ouvia muito ‘The night they drove old dixie down’, do The Band. Embora não tenha nada a ver, é a vibe que eu sentia. O solo remete muito ao Rainbow e ao Ritchtie Blackmore, mas ela tem um elemento de melodia, de voz, bem brasileiro, que lembra o Beto Guedes, com uma letra- modéstia ‘inclusa’- bastante inspirada”, contou o compositor.

“Furos no sapato”, de Zupo com Marcelo Mancha, e “ O galo já cantou”, também estão garantidas no show. “A primeira é bem Led Zeppelin e a outra é bem Stones”, falou, classificando a última música como mais esperançosa, alegre e própria para fins de shows.

Das composições que soaram na banda Big Balls e figuram no espetáculo, constam “A Arma e a Flor”, de Zupo e Paulo de Tharso (1960-2013), ator, músico e compositor da maioria das letras da Big Balls, e “Balacobaco”, rockão nervoso da dupla, que divide a autoria com Marco “Acqua” Calomino. “Essa última música é dos três. O Acqua fez a ideia inicial de melodia de voz em cima de um arranjo que eu tinha. A letra, em português, eu fiz uma primeira parte e o Paulo, quando entrou na banda, deu uma lapidada.”

“Meu destino”, balada que Zupo se orgulha de ter composto, também rola no show. “Essa fiz sob pressão. A gente ensaiava de segunda a sexta, oito horas por dia, e o produtor queria uma balada para botar no disco. Fiz em uma noite. Às vezes, a pressão é boa. Foi o que aconteceu nesse caso, porque essa é uma das músicas que mais gosto de ter feito e gravado.”

Xando Zupo em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Xando Zupo em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)

SINGLES

Durante 2016, Zupo lançou dois singles que estão no repertório do show. “Não há nenhuma paz”, que o guitarrista considera “uma porradona, uma das mais pesadas que fiz”, disse o autor da música inspirada em elementos do documentário “Zeitgeist, o filme” (2007), do norte-americano Peter Joseph. “Ela tem um pouco da coisa de implodir o monumento ao cifrão e de toda essa temperatura alta, que está no planeta”, explicou.

Outro single lançado foi “Queimarás no inferno”, música gravada com quatro vocalistas, incluindo o autor, o próprio Zupo. No entanto, nenhuma das gravações rendia o que ele queria. “Todos cantavam bem, mas o Fernando Janson, além de cantar, contou e me fez acreditar na história dessa música como ninguém. Ele me emocionou e isso é difícil, porque nem todo mundo é igual a Elis Regina que tem os dois lados, o de cantar e interpretar superbem. Tem um monte de gente, como o Cazuza ou o Catalau (ex- Golpe de Estado), que não canta com uma voz potente, mas transmite muito bem a história, com uma verdade absoluta. O Fernando para mim tem os dois lados.”

CONVOCAÇÃO

Segundo Zupo, todos são bem-vindos ao show, que promete ter um som mais pesado que o som da Pedra e já está com os ingressos quase esgotados. “Faltam poucos lugares para lotar o teatro. Isso me deixou muito feliz. Espero que vá muita gente, mas principalmente quem gosta de rock brasileiro, quem ouve Barão Vermelho, Cássia Eller, Lobão e Elis Regina, porque esse cara também ouve Led Zeppelin, Deep Purple, Van Halen e Black Sabbath. Esse é o público que eu quero. Um público que entenda que a gente pode brincar com um monte de elementos brasileiros, principalmente nas letras, dentro do rock nacional de qualidade.”

Com cinco discos físicos lançados, fora um na internet, Zupo tem novidades para o ano de 2017. “Com essa mesma formação do show, vou gravar, até a metade do ano que vem, um EP com seis ou sete músicas, todas inéditas. Minha ideia nunca foi ser solo, mas compositor. Na Pedra, eu cantava, mas não tenho esse intuito. Gosto de compor e, primordialmente, de ser um guitarrista.”

Essa é uma ótima oportunidade para conhecer um trabalho musical brasileiro bem feito, com muito punch e poesia. Corra e garanta seu ingresso!

SHOW XANDO ZUPO

ONDE Sesc Belenzinho, r. Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo, tel. (11) 2076-9700

QUANDO Sábado(29), às 21h

QUANTO De R$6 a R$20