Corina Magalhães é finalista do Grammy Latino 2016

Por Carlos Bozzo Junior

 

A cantora mineira Corina Magalhães e Edu Malta que tiveram o CD “Tem Mineira no Samba”, indicado para o Grammy Latino 2016 (Foto: Carlos Bozzo Junior)
A cantora mineira Corina Magalhães e Edu Malta que tiveram o CD “Tem mineira no samba”, indicado para o Grammy Latino 2016 (Foto: Carlos Bozzo Junior)

O CD “Tem mineira no samba” (Tratore) da cantora mineira Corina Magalhães, 34, é um dos cinco indicados na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode da 17ª edição do Grammy da música ibero-americana 2016, que acontece no dia 17 de novembro, em Las Vegas.

Com ele competem “De Bem Com A Vida” (Sony Music), de Martinho da Vila; “Eduardo Gudin & Notícias dum Brasil 4” (Dabliú), do compositor e violonista arranjador Eduardo Gudin; “Na Veia” (Warner Music Brazil), da dupla Rogê & Arlindo Cruz; e “Sambas para Mangueira” (Biscoito Fino), que reúne sambas em homenagem à verde-e-rosa interpretados por vários artistas liderados pelo gaitista e produtor Rildo Hora.

Disco que leva o ouvinte ao clima de Minas Gerais, “Tem mineira no samba” traz 14 sambas de grandes compositores e intérpretes com uma linguagem que funde jazz e choro com o samba sem descaracterizar a essência do gênero. Entre as músicas, “Aqui é o país do futebol”, de Milton Nascimento e Fernando Brant; “Escurinho” e “Falsa Baiana”, de Geraldo Pereira”; “Morena Boca de Ouro”, “Faceira” e “Camisa Amarela”, todas de Ary Barroso (1903-1964); e a mineiríssima “Galo e Cruzeiro”, de Vander Lee (1966-2016), além de “Prêt-à- Porter de Tafetá” e “A Nível de”, ambas de João Bosco e Aldir Blanc.

Esse é o primeiro disco da cantora, que estreia excelentemente acompanhada por André Bordinhon (violão e guitarra); Edu Malta (baixo elétrico, arranjos, produção musical e mixagem); Humberto Zigler (bateria e percussão); Léo Rodrigues (percussão); Alexandre Ribeiro (clarinete); César Roversi (sax tenor); Celso Marques e Rodrigo Y Castro (flautas).

O disco foi gravado no estúdio 185 pelos engenheiros de gravação Beto Mendonça e Lindenberg Oliveira, e no estúdio Mofo pelo engenheiro Rogério Bastos. A masterização ficou por conta do “homem morcego” Homero Lotito do estúdio Reference Master.

O Música em Letras entrevistou a cantora no apartamento onde mora, no bairro da Vila Clementino, em São Paulo. Magalhães falou sobre a indicação de seu CD ao prêmio e da relevância desse evento, entre outros assuntos.

Corina Magalhães e Edu Malta em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Corina Magalhães e Edu Malta em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Leia, a seguir, trechos da entrevista e assista, no final do texto, à cantora interpretando com exclusividade para o Música em Letras, acompanhada pelo violão de Edu Malta, 43, um trecho de “Morena Boca de Ouro”, de Ary Barroso, uma das 14 músicas do CD indicado ao Grammy Latino.

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Música em Letras– Como soube da indicação ao prêmio?

Corina Magalhães – Por amigos, no Facebook. Eu inscrevi o disco, mas não fazia ideia da data que sairia o resultado. Aí, meus amigos começaram a “bombar” no Facebook e eu fiquei muito surpresa. Eu fiquei desesperada, na verdade. Porque não entrei no Face o dia inteiro, só no final da tarde e todo mundo já estava sabendo, menos eu. Minha ficha foi cair dois dias depois.

ML– Você pretende ir à premiação?

CM– Sim. Vou no dia 14; 17 é a premiação. Volto dia 20.

ML– Qual a importância desse prêmio?

CM – Reconhecimento de tudo que eu fiz até hoje. Isso confirmou o que eu acreditava do disco. Muitas resenhas escritas por jornalista dizem o que eu queria ter mostrado, que é da minha interpretação, de um arranjo diferente, e de que pegamos músicas que já existiam e as transformamos sem sair da essência. Essa é a importância para mim, mostrar o que eu queria.

ML– O que se ganha com esse prêmio?

CM –Não pensei nisso. Estou muito feliz de estar em meio aos artistas que foram indicados. Para mim, eu já ganhei. Já estou com o prêmio só de ter sido indicada. Pode não acontecer nada. Eu não fico viajando muito nisso, mas já estou sendo reconhecida, muito gente já está ouvindo mais o CD, que era o que eu queria. Quero que elas me conheçam e conheçam o trabalho. Tem gente de fora do país, que foi indicada para outra categoria que me envia mensagem dizendo que ouviu o CD e gostou. Estou achando isso o máximo, porque o que eu quero é que tudo mundo ouça a minha música, só isso.

Capa do CD “Tem mineira no samba” (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Capa do CD “Tem mineira no samba” (Foto: Carlos Bozzo Junior)

ML– Vê chances de ganhar?

CM – Sim, porque fui indicada. E sim, por sermos diferentes. Se eles que julgam estiverem com essa visão de que tem que ter algo diferente, acho que temos muita chance.

ML– Você está de acordo com os critérios da escolha?

CM –Sim.

ML– Comente sobre seus concorrentes?

CM – Ouvi todos. Achei que todos estão com alguma coisa diferente. Sou fã de todos e se eles ganharem vou agradecer. Adoro todos eles. Perder para o Rildo Hora e para o Arlindo Cruz, fala sério, é ótimo.

ML– Por que o seu disco deveria ganhar?

CM –Porque o disco é uma mistura de jazz, samba e choro diferente. E porque é novidade trazer essas músicas tão bonitas para as pessoas conhecerem com uma roupagem nova.

ML– Qual o melhor prêmio que uma cantora de samba pode receber?

CM – O reconhecimento.