Raul de Souza lança o CD “Brazilian Samba Jazz”, em São Paulo

Por Carlos Bozzo Junior
O músico Raul de Souza em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo junior)
O músico Raul de Souza em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Acontece no próximo domingo (25) o lançamento do CD “Brazilian Samba Jazz”, gravado em Paris, do trombonista, arranjador e compositor Raul de Souza, 82, com uma superbanda arregimentada pelo autor.

Música em Letras esteve na tarde de hoje (23) no apartamento do músico, na Vila Mariana, em São Paulo, onde reside metade do ano. “Na outra metade, moro em minha casa na França”, disse o artista que já tocou com os maiores nomes da música mundial, entre eles, Milton Nascimento, Sonny Rollins, Cannonball Adderley (1928-1975) e George Duke (1946- 2013).

No grupo que sobe ao palco do Sesc Belenzinho ao lado dessa lenda do trombone, só craques da música instrumental brasileira: Fábio Torres (piano), Celso Almeida (bateria), Glauco Solter (baixo) e Mario Conde (guitarra).

Capa do disco "Brazilian Samba Jazz", de Raul de Souza (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Capa do disco “Brazilian Samba Jazz”, de Raul de Souza (Foto: Carlos Bozzo Junior)

O disco traz dez faixas autorais com temas que misturam o jazz e o samba com muita maestria. Entre eles “Descendo da Mangueira”, “Violão Quebrado”, “Ilha do Mel”, “Amigo JJ” e “Saudade do Frank”.

As duas últimas são em homenagem a dois amigos de Raul de Souza e excelentes trombonistas: J. J. Johnson (1924-2001) e Frank Rosolino (1926- 1978), ambos suicidas.

Perguntado qual a razão do suicídio desses dois brilhantes artistas, que o brasileiro conheceu intimamente, a resposta foi: “Depressão”.

Raul de Souza conheceu Rosolino quando o norte-americano participou, no início dos anos 1970, de um show beneficente organizado pelo sindicato dos músicos de Los Angeles para angariar fundos, no intuito de ajudar o trombonista brasileiro, que havia sido atropelado por um taxi em L.A. e teve o fêmur fraturado, permanecendo cerca de três meses hospitalizado. “Eu o convidei pelo telefone e ele topou na hora. Parecia que éramos amigos há séculos. No show, que participei em uma cadeira de rodas, a cada solo meu ele saía do naipe da orquestra e vinha me beijar. Nossa amizade era muito forte”, disse o trombonista que trouxe o “chapa” Rosolino para uma apresentação no festival de jazz do Anhembi, em São Paulo, no ano de 1978, meses antes de sua morte. “Ele se matou e atirou nos dois filhos por conta da depressão. A mulher dele havia morrido e ele nunca se recuperou”, falou Raul de Souza, afirmando ter sido a morte da mulher a mesma razão da depressão que pôs fim à vida de J. J. Johnson.

À esquerda o autor do Música em Letras com Raul de Souza, na Berklee College of Music (Foto: Carlos Bozzo Junior)
À esquerda, o autor do Música em Letras com Raul de Souza, na Berklee College of Music, em 1983 (Foto: Carlos Bozzo Junior)

CURIOSIDADE

Raul de Souza tem mais histórias engraçadas do que trágicas para contar. Me divirto com elas desde 1983. Na ocasião, eu estudava na Berklee College of Music, em Boston, onde Raul de Souza morava e, apesar de já ser uma celebridade, humildemente participava de um ensemble (prática de conjunto) do qual eu e outros estudantes de música fazíamos parte.

Em um desses dias, após termos tocado e com vontade de comer algo, comentei a saudade irremediável que sentia de comidinhas rápidas, baratas e inexistentes em plagas norte-americanas tais como coxinhas, empadinhas e bolinhos, principalmente os de ovos. Ouvindo minha lamentação, imediatamente Raul me surpreendeu dizendo conhecer um local, perto da escola, que vendia “bolinhos”. Como ele já morava há muito mais tempo do que eu nos Estado Unidos, confiei e parti com ele para a tal loja, que para mim já havia se transformado num grande achado, uma espécie de oásis sem nem mesmo conhecê-la.

Chegando ao suposto oásis, estranhei ao avistar o manjado logo que estampa duas letras de, uma ao lado da outra, em laranja e em rosa quente. Era uma das lojas da empresa global Dunkin’ Donuts, especializada na venda de rosquinhas e café.  Raul de Souza, sem pestanejar “mandou”, misturando inglês e português, para o atendente do estabelecimento: “Malandro, please, give me um bolinho daquele ali”. O atendente fez jus ao nome e o serviu, após apontar com o dedo qual deles o músico queria. Completamente desiludido falei: “Raul, mas isso é um donut e é doce!” O trombonista respondeu: “Mas é bolinho, malandro”. Resultado, estou rindo até agora, desde que lembrei o fato com ele hoje em seu apartamento.

Assista ao vídeo gravado pelo Música em Letras, no qual o mestre do trombone mostra uma sonoridade de seu instrumento que para ele representa a cor azul.

SHOW DE LANÇAMENTO DO CD “BRAZILIAN SAMBA JAZZ”

ARTISTA Raul de Souza
QUANDO Domingo, dia 25 de setembro, às 18h
ONDE Sesc Belenzinho, r. Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo, tel. (11) 2076-9700
QUANTO De R$ 6 a R$ 20

CD “BRAZILIN SAMBA JAZZ”

ARTISTA Raul de Souza
GRAVADORA Encore Merci
QUANTO R$ 40