Paula Santoro lança “Metal na Madeira”

Por Carlos Bozzo Junior
A cantora Paula Santoro, que lança "Metal na Madeira", disco gravado nos Estados Unidos (Foto: Carlos Bozzo Junior)
A cantora Paula Santoro, que lança “Metal na Madeira”, disco gravado nos Estados Unidos (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Acontece amanhã, sexta-feira (9), no Sesc Belenzinho, em São Paulo, o show de lançamento do CD “Metal na Madeira” da cantora e compositora Paula Santoro, com músicas do compositor Ian Faquini, e participação especial de Mônica Salmaso.

Ontem, dia 7 de setembro, o Música em Letras entrevistou a artista mineira, que mora há 18 anos no Rio de Janeiro, mas tem planos de se mudar para São Paulo. “Quero fazer um curso de especialização em fonoaudiologia aqui, além de continuar a cantar”, disse a cantora e professora de canto que é formada em fonoaudiologia e comunicação social, com especialização em rádio e TV.

Conheça mais sobre essa excelente cantora e veja, no final do texto, o vídeo no qual ela interpreta a capela “Vasta Ilha”, de Ian Faquini e Mauro Aguiar, uma das músicas do espetáculo.

DE MÉDICA A CANTORA E FONOAUDIÓLOGA

Aos 17 anos, Santoro, 50, prestou vestibular para medicina na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e abocanhou uma vaga. “Deixei dois anos depois. Me envolvia muito com os casos das pessoas e no quarto período saquei que não era a minha.”

Prestou vestibular novamente, entrou em comunicação social e retomou seus estudos musicais, que foram trocados pela dança. “Com 10 anos ganhei um violão e comecei a compor. Cantava desde os 3 anos, com o violão comecei a criar, mas tive que optar entre o violão e o balé e optei pelo balé abandonando o instrumento”, disse Santoro que voltou a estudar música – canto lírico, violão e piano clássico –, aos 20 anos, na Fundação de Educação Artística, na capital mineira.

Quando criança Santoro morava com a família na casa dos avós, em Belo Horizonte. O avô, médico, tocava violino em cinema mudo e promovia saraus que faziam com que a menina grudasse o ouvido na porta para ficar ouvindo o som que ele e outros músicos amadores faziam. Ouvia de tudo um pouco, mais músicas românticas e do repertório de violinistas, mas a MPB esteve sempre presente por conta de sua mãe. “Enquanto meu avô escutava música instrumental com orquestras, minha mãe tinha discos da Elis, Chico, Belchior e Tim Maia”, contou a artista que descobriu, por conta própria, Milton Nascimento e Toninho Horta e se surpreendeu. “Escutar esses caras mudou minha vida.”

Na escola de música, um anúncio procurando uma cantora contralto chamou a atenção de Santoro. Respondeu ao anúncio e ingressou no grupo vocal Nós & Voz, com o qual lançou o disco Hum (1991). “Sou mezzo soprano, mas estou ficando uma mezzo para contralto. Quando era mais jovem era uma mezzo mais para o agudo. Tenho o agudo ainda, mas para cantar letra prefiro cantar em uma região de maior conforto que é de um médio grave”, disse a cantora.

O Nós & Voz já existia há cerca de seis anos quando Santoro o integrou. “Foi bacana porque quando resolvi cantar novamente, já peguei o bonde andando e com público. Fizemos o espetáculo ‘Manuel o Audaz’, que era a história escrita pelo Fernando Brant de um jipe, o da música homônima do Toninho Horta. O roteiro dessa viagem do jipe passava pelo Brasil todo e por isso havia composições do Sul, Nordeste, Minas e São Paulo, entre outros lugares, que juntas formavam um retrato sonoro do Brasil”, falou a cantora.

Santoro também participou do espetáculo musical “Mulheres de Holanda”, com cerca de duas horas e meia de duração, “tudo no gogó, pois não tinha microfone”, durante um ano e meio, o que também corroborou para aumentar seu público.

Segundo Santoro, que também fez parte do grupo Sagrado Coração da Terra, “nessa época eu saía no jornal toda semana e já tinha um público fiel”. Mesmo assim, resolveu se mudar para o Rio de Janeiro em 1998. “Sempre vou a Minas. O Rio, atualmente, está com um mercado de trabalho muito complicado. É muito bom de morar, mas para trabalhar não. Não há tantos projetos como em São Paulo ou em Minas. No Rio, os espaços são ou grandes demais, o que exige que o artista já seja ‘estouradaço’, ou são muito pequenos, que não dão condições de trabalho”, disse Santoro que trabalha na Cidade Maravilhosa mais como professora de canto. “No Rio é edital. Se você não é contemplado por algum edital, vai gastar dinheiro para se apresentar ou vai cantar em boteco, o que eu não faço mais.”

Paula Santoro cantando para o Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Paula Santoro cantando para o Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)

CDS

Santoro já colocou sua voz, em discos, a serviço da música de mestres como Nivaldo Ornelas, Guinga e Mário Adnet entre outros.

Durante sua carreira, Santoro gravou os discos “Santo”, 1996 (Paradox); “Sabiá”, 2004 (Independente); “Paula Santoro”, 2005 (Biscoito Fino); “Mar do Meu Mundo”, 2013 (Borandá); e “Metal na Madeira”, 2016 (Ridgeway Records).

“Só não gosto do meu primeiro disco”, contou a cantora que, por imposição da gravadora, registrou musicalmente uma “praia” (dance) que nunca foi a sua.

O novo disco de Santoro, “Metal na Madeira”, que será apresentado no show, surgiu no festival California Brazil Camp, que acontece anualmente próximo a cidade de Cazadero, a cerca de uma hora de São Francisco, nos Estados Unidos. “São duas semanas em que pessoas de todos os lugares do mundo se reúnem e ficam embrenhadas nas músicas e nas danças brasileiras que rolam em shows e oficinas”, falou a artista que durante o evento conheceu as composições de Ian Faquini, músico brasileiro que mora nos Estados Unidos.

Faquini, 25, excelente compositor e foi apadrinhado pelo mestre Guinga desde cedo. “Até a maneira dele andar parece com a do Guinga, que o conhece desde os 10 anos quando começou a frequentar esse festival. Na época, o Ian tocava rock, mas depois que conheceu o Guinga, ele se encantou com o violão e com a música dele e passou a compor nessa onda”, contou Santoro que sugeriu ao rapaz uma parceria em um disco e juntos gravaram “Metal da Madeira”, com nove canções.

A primeira canção do disco a ser gravada foi “Dorival Pescador”, de Ian Faquini e Mauro Aguiar. A sessão de gravação aconteceu no estúdio da casa do trombonista Jeff Cresman, que toca com o guitarrista Santana. “Foi gravado ao vivo mesmo, só com voz e violão. Essa gravação tem uma energia especial, pois foi o momento de descoberta dessa música que é linda”, disse a cantora que registrou as outras faixas no famoso Fantasy Studios, em São Francisco, onde gravaram o pianista Bill Evans (1929-1980), o trompetista Miles Davis (1926-1991) e o cantor Bob McFerrin, entre outros.

Além de Faquini no violão e Santoro cantando, participaram do disco, gravado em apenas três dias, Rafael Barata (bateria); Scott Thompson (contrabaixo); Vitor Gonçalves (sanfona e Rhodes); o maestro Spok (sax soprano); Sergio Krakowski (pandeiro); Jeff Cressman (trombone) e Harvey Wainapel (clarinete e sax alto). O resultado é surpreendentemente bom. Faquini tem ótimos parceiros letristas, além de Mauro Aguiar, figuram Iara Ferreira em “Sereia”, “Mãe da Lua” e “Metal na Madeira”; Thiago Amud em “Jerimbamba” e “Pinhém-Pinhém”; Gonzaga Blantez em “Aos Olhos da Tarde”; e Alberto Americano em “Rio-Mar”.

SHOW

No show de amanhã, Santoro interpreta músicas do novo disco, entre baiões, frevos e maracatus, além de canções de outros CDs que também remetem ao Nordeste.

Mônica Salmaso canta quatro músicas no show de Santoro: “Dorival Pescador” e “Pinhém-Pinhém”, ambas do disco novo; “Léo”, do CD “Paula Santoro”; e “Samburá de Peixe Miúdo”, do CD “Mar do Meu Mundo”.

Os músicos Daniel Santiago (violão), Edu Ribeiro (bateria), Bruno Migotto (contrabaixo acústico) e Rafael Vernet (piano e direção musical) “fazem a cama”, com muito suingue, para Salmaso e Santoro deitarem e rolarem.

A cantora revelou o que foi importante na escolha do repertório do espetáculo. “Tem música que a gente gosta, mas a música não gosta da gente. Sou uma cantora que canto para a música. Não canto para mostrar que sei fazer um trinado [demonstrou cantando] ou que tenho uma técnica incrível. Quero que a pessoa goste da música. Para isso, tenho que achar a alma da música. Música é igual gente, tem alma, cheiro e cor. Música é um ser. Fui sacando que seres, que músicas, têm a ver com minha voz, têm empatia comigo e que combinam comigo para apresentar ao público.”

Duas canções inéditas estão no programa: “Benção de Iansã”, um samba que abre o show, e “Lenga-lenga”, segundo Santoro, “um troço meio jazzístico brasileiro”, ambas de Ian Faquini.

Aproveite para assistir ao show de Paula Santoro amanhã, aqui em São Paulo, pois de outubro a dezembro, só viajando para o exterior. A artista lança o disco nos Estados Unidos, realizando 12 shows, e repete o mesmo número de apresentações na Europa.

Veja, a seguir, o vídeo no qual Santoro interpreta a capela “Vasta Ilha”, de Ian Faquini e Mauro Aguiar, uma das músicas do espetáculo.

SHOW DE LANÇAMENTO DO CD “METAL NA MADEIRA”

QUANDO Sexta-feira, dia 9 de setembro, às 21h

ONDE Sesc Belenzinho, r. Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo, tel. (11) 2076-9700

QUANTO De R$ 6 a R$ 20

 

CD “METAL NA MADEIRA”

ARTISTAS Ian Faquini e Paula Santoro

GRAVADORA Ridgeway Records

QUANTO R$ 30