Crítica- Dandara e Paulo Monarco trazem vida à MPB

Por Carlos Bozzo Junior
Ingresso do show de Dandara e Paulo Monarco (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Ingresso do show de Dandara e Paulo Monarco (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Aconteceu ontem, domingo (14), no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, o show de lançamento do CD “Dois tempos de um lugar”, da cantora e compositora Dandara, 26, e do compositor, violonista e cantor Paulo Monarco, 28.

O Música em Letras esteve lá e conferiu o evento, onde a dupla reanimou a MPB que, igual ao samba de Nelson Sargento, “Agoniza, mas não morre”.

Quer saber como foi? Cheio de gente. Uma mulher, com ar de urgência, reclamava irritada de estar “para sempre” na imensa fila do banheiro feminino. A fila para o café imitava a do banheiro. A entrada para o espetáculo foi também bem “afileirada” e morosa. Um compositor comentou, “Será que eles acham que temos bombas?”, mal sabe ele o que músicas ruins podem ocasionar, principalmente quando detonadas pelo mercado e alçadas aos céus do sucesso.

Dentro do teatro, durante o show, idiotas, malucos “acervejados” e chatos para cacete, gritavam palavras e frases feitas tipo: “Que pegada!”, “Top”, “Demais!”, e o escambau. Um porre! O disco é sensacional, mas daí fazer um show igual, nem sempre é possível. Um show depende de muita gente, além dos artistas, inclusive daquela gente que está ali, o público.

Entretanto, a dupla superou tudo isso mesmo sendo atrapalhada ou “ajudada” pelo som do local, que em vários shows presenciados por esse blogueiro deixa a desejar. Some voz, some instrumento, além de haver um descontrole com relação ao volume, formatando uma espécie de ringue onde instrumentos brigam com vozes.

Contudo, como disse Dandara ao tentar cantar acompanhada por uma guitarra,“Toca aí”, de Túlio Borges: “Foda-se!”. Sem solução, a moça deixou o instrumento que não “falava”, em suas mãos, e interpretou a música a capela. Há males quem vem para bem. Arrasou. Deveria estar sendo aplaudida até agora. Mandou muito bem.

Daí para frente, foi uma sequência de “emplaques” de músicas excelentes, entre elas, “Tem dó”, “Escuta”, “Dois tempos de um lugar” e “Ame” (essa novamente no bis), com interpretações tocantes que certificam a dupla como uma das melhores da MPB da atualidade. Tem “sujeira”, suingue, poesia, som e até a porra da “pegada”, gritada pelos malas e chatos “mamados”. Sensacional!

Entrada do Auditório Ibirapuera (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Entrada do Auditório Ibirapuera (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Porém, nada é perfeito (ainda bem!). A dupla se perdeu um pouco no final, antes do bis, por citarem o nome de quase todos (ainda bem que alguns foram esquecidos!) que participaram do disco e do espetáculo. Ok, merecedor, mas da próxima vez que façam um “slide”, com os nomes de todos. Sabem o que é isso, um slide? Acho que sim, pois o talentoso Paulo Monarco me confidenciou que está elaborando um trabalho com seu “parça” pernambucano, Raul Misturada, utilizando fitas K-7. Projetem o slide e pronto! Enquanto isso, toquem e cantem. O quê? Qualquer uma das músicas. Todas são ótimas e agradaram bastante, superando totalmente o som “tosco” e o público “mala”.

Ah, a mulher da fila do banheiro feminino sumiu, acho que se encharcou, inflou e explodiu mimetizando-se na arte vermelha das paredes brancas do local, que estranhamente nos levam à paz. Paz que contagiou quem foi ao show. Afinal, a MPB está viva. Desfibrilada pela energia e talento de artistas desse porte. Bem viva!

AVALIAÇÃO DO SHOW

ÓTIMO