O Karaokê morreu?

Por Carlos Bozzo Junior
Cantora amadora no karaokê, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Mulher canta no karaokê, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Nem, o Karaokê está vivo! E passa bem.

Popularizado no Brasil, nos anos 1980, e no Japão, seu país de origem, nos anos 1970, o sistema eletrônico que disponibiliza coletâneas de músicas de sucesso para acompanhar com playback (bases pré-gravadas) cantores amadores em casas noturnas continua a todo vapor.

O Música em Letras esteve ontem, domingo (7), na Chopperia Liberdade, uma das casas de São Paulo que dispõe do sistema e constatou que mais e mais pessoas se divertem cantando, mesmo que desafinadas, na orelha dos outros.

Na noite anterior, sábado (6), segundo Miro, gerente há 12 anos do estabelecimento que existe há 14, 423 pessoas estiveram no local, ouvindo 126 músicas interpretadas por quem ama cantar. Para cada execução há uma taxa de R$ 2 cobrada pela casa. “Cobramos para organizar melhor. Caso contrário dá confusão”, disse o funcionário que já presenciou dias melhores. “Com a crise econômica, o movimento caiu, mas o karaokê está bem vivo ainda. Já tivemos noite em que atendemos 750 fregueses”, falou o gerente da casa que, além de oferecer o entretenimento musical, tem grelhados, petiscos, sushi bar e salão com mesas de snooker (R$ 20 a hora). Tudo ao som do karaokê.

Contudo, às quintas-feiras, sextas e sábados, quem quiser soltar o gogó, precisa chegar cedo. “Tem que entrar até 19h30 para colocar o nome na lista. Se chegar depois das 20h, não consegue cantar naquela noite”, falou o gerente que está acostumado a ouvir gente ruim cantando.

Enquanto esteve no lugar, o Música em Letras não presenciou nenhuma vaia, só palmas ao cabo de cada performance, mesmo a pessoa desafinando ou atravessando. “O único problema é que o brasileiro quer ser americano”, disse Miro, referindo-se ao fato de que as escolhas pendem mais para o repertório internacional, especialmente em inglês.

O autor do blog, no karaokê da Chopperia Liberdade (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O autor do blog Música em Letras no karaokê da Chopperia Liberdade (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Quanto aos hits nacionais, o sertanejo ganha disparado. Em uma única noite, Miro teve que ouvir seis vezes a música “Evidências”, da dupla Chitãozinho e Xororó, sendo interpretada por quem acha que canta. “Essa foi difícil de aguentar.”

Ed Motta e Paula Fernandes, entre outros nomes da MPB, já estiveram no local, mas quem “lacra” quase todo final de semana é o Roberto Carlos japonês, que canta só músicas do rei. “Ele agrada bastante, mas tem muita gente desconhecida que canta igualmente bem”, falou o gerente da casa cujo repertório tem músicas em português, inglês e japonês.

Aos domingos não há a cobrança de R$ 15 de ingressos, só consumação mínima de R$ 10. A casa, que abre às 19h e fecha às 5h, é no mínimo exótica em sua aparência. A decoração vermelha, com lanternas orientais, luzes coloridas e aquários remete a um cenário de filme e engana quem pensa que ali há prostitutas. “Essa fama é porque algumas casas aqui da Liberdade eram conhecidas por esse tipo de frequência, mas aqui não é assim”, disse Miro sobre o bairro que disponibiliza outros endereços para quem só quer cantar e para quem quer ser cantado, procure saber.

O QUE Karaokê

ONDE Chopperia Liberdade, r. da Glória, 523, Liberdade, tel. 11 3207-8783

QUANDO De terça a domingo, das 19h às 5h

QUANTO R$ 15 (ingresso) de quinta a sábado; e R$ 10 (consumação mínima)