Tem Madonna na Virada

Por Carlos Bozzo Junior

 

A cantora Blubell em seu apartamento, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
A cantora Blubell em seu apartamento, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

A cantora e compositora Blubell se apresenta na 12ª edição da Virada Cultural SP com o show Blubell canta Madonna. Participando pela primeira vez da maratona cultural paulistana, a cantora estará no próximo sábado (21), às 18h, no palco montado no estacionamento do Sesc Ipiranga. O Música em Letras entrevistou Blubell em seu apartamento, no bairro da Vila Buarque, região central de São Paulo.

Leia, a seguir, trechos dessa conversa, que foi acompanhada pelo fiel Zé, um afável labradoodle (raça híbrida de labrador retriever e poodle), adotado pela cantora há um ano e meio. E assista ao vídeo, no final do texto, com um trecho de “Like a Virgin”, de Billy Steinberg e Tom Kelly, uma das músicas que será interpretada por Blubell no próximo sábado.

Blubell faz show na Virada Cultural SP (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Blubell faz show na Virada Cultural SP (Foto: Carlos Bozzo Junior)

BLUBELL

Isabel Fontana Garcia, a Blubell, 38, nasceu em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, mas veio para a capital com pouco mais de um ano. Com dez anos de carreira, Blubell estudou canto popular na EMSP-Tom Jobim (Escola de Música do Estado de São Paulo). “Tenho a carteirinha da OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) que me qualifica como profissional”, disse a cantora que também teve aulas de canto com a professora Tuca Fernandes, e de violão e harmonia de Leandro Bomfim.

Blubell tem quatro discos gravados e um quinto a caminho. “Diva é a Mãe” (2013) é o último registro da cantora. “Esse disco foi quando resolvi relaxar e contar minhas histórias do jeito que sou, muito mais para moleca que para diva”, disse a artista. “Slow Motion Ballet”, gravado em 2005 e lançado em 2007, com 16 faixas, é chamado por Blubell de “disco zero”. Por quê? “Não tive poder nenhum na produção. Eu tinha as músicas e entrei no disco como intérprete e compositora apenas. Com esse CD, descobri que queria fazer um trabalho solo”, falou sobre a bolachinha que saiu pelo extinto selo Super Reds.

Já o CD “Sou do Tempo em que a Gente se Telefonava” (2011), com 12 faixas, lançado pela gravadora YB Music, foi o primeiro disco em que Blubell participou de toda a produção. “Colaborei na pré-produção, nas composições e arranjos, na pós-produção, mixagem e projeto gráfico. Este é meu primeiro filho”, contou a artista cujos discos fazem sucesso no Japão, onde realizou em 2011 uma turnê de 12 dias por seis cidades.

“Blubell & Black Tie” (2012), da gravadora Borandá, reúne o excelente trio formado por Mario Manga, Fábio Tagliaferri e Swami Junior ao lado da cantora. “Essa é uma parceria deliciosa e foi uma honra dividir o palco com esses ‘monstros’ da música. É um disco de intérprete, tem uma música minha, que depois regravei no ‘Diva’, mas grande parte das faixas são releituras. É o que a gente chama de ‘pop de câmara’”, contou a artista que “ama” trabalhar como intérprete. “Adoro pegar uma música que outra pessoa fez, gravou e dar a minha cara.”

Blubell e o cão Zé (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Blubell e o cão Zé (Foto: Carlos Bozzo Junior)

FAIXA DE GAZA

De acordo com a artista, São Paulo é cada vez mais a sua casa. “Agora estou em um relacionamento sério com o Minhocão”, disse a compositora que caminha habitualmente pelo elevado, com seu cão Zé, nos horários em que a via, que fica próxima a sua casa, se transforma em espaço de lazer.

Blubell já morou em 17 lugares diferentes na capital. Em julho, completa um ano como moradora de um prédio da rua Maria Antônia. O local tornou-se um símbolo da resistência estudantil no período do regime militar, pois em outubro de 1968 serviu de palco para o confronto entre estudantes de esquerda da faculdade de filosofia da USP contra estudantes de direita do Mackenzie, que resultou na morte de um estudante secundarista.

Perguntada se conhecia o episódio, Blubell respondeu que sim.“Meus pais estudavam na USP nessa época. Meu pai, medicina, e minha mãe, ciências sociais. Sei dessas histórias e é muito louco, né? Comentei com meu namorado que esta é a única rua de São Paulo em que um lado da calçada é ‘coxa’ e o outro é ‘petralha’”, disse a cantora que não é militante de nenhum partido político, mas exibe em sua página do Facebook as seguintes “hashtags do meu coração no momento”: #diretasjá; #maisculturaporfavor; #voltaminc; #foratemer; #cunhanacadeia; #ocupareresistir.

Segundo a cantora, o motivo que a levou a postar essa lista de hashtags foi uma questão de atitude. “Tem horas em que temos de nos posicionar. Em tempos como esses, é muito difícil ficar calado. Se ficamos calados parece que estamos consentindo.”

O SHOW

No início de 2015, a cantora decidiu que queria fazer um tributo a um artista. Durante meses pensou em quem poderia homenagear e acabou por escolher Madonna, estreando o espetáculo em agosto do mesmo ano. “Além de eu ser fã desde sempre da Madonna, achei que poderia acrescentar algo ao que ela já fez dando uma outra cara para as músicas”, disse Blubell que já realizou dez apresentações desse espetáculo, no qual alia música, humor e um toque teatral. Outra razão pesou na escolha da homenageada: “Madonna pega várias gerações de ouvintes, além de ser uma artista que sobreviveu. Ela é uma ‘highlander’, né?”

No show da Virada Cultural, Blubell interpreta 13 sucessos da diva do pop. Entre eles, “Vogue”, de Madonna e Shep Pettibone, em uma versão chá-chá-chá; “Into the Groove”, de Madonna e Stephen Bray, em versão reggae; e “Borderline”, de Madonna, que na voz de Blubell soa como uma balada jazz.

Bem acompanhada pelo quarteto formado por Marcelo Pereira (saxofone), Daniel Grajew (piano), Igor Pimenta (baixo) e Carlinhos Mazzoni (bateria), a cantora mostra com segurança seu talento. Segundo ela, na escolha de seus músicos, pesa “se dar bem”. “São caras que eu gosto muito, isso faz uma grande diferença na hora de subir no palco. Além disso, gosto de trabalhar com quem está feliz. Se a pessoa não está feliz, eu a convido a se retirar”, contou a cantora que há quatro anos não “lima” ninguém de seu quarteto.

Para a estreante na Virada paulistana, essa apresentação é sensacional. “Toda vez que a arte está na rua para todos é mágico, né?”, disse a artista que espera que o público cante, dance e se divirta muito durante o show.

Um dos momentos que Blubell mais curte é o pós-show, mesmo sendo sempre bastante assediada para tirar inúmeros selfies e distribuir autógrafos. “Como não curtir um cara que vai lá, te dá um abraço, e diz que minha música melhora a vida dele? Tem que curtir”, falou a artista que gosta de se aproximar dos fãs.

Aproveite, não é toda hora que se consegue ir a um show, ouvir uma bela voz, músicos bons e de quebra ainda conhecer de perto um grande talento como o de Blubell.

SHOW BLUBELL CANTA MADONNA

ONDE Virada Cultural SP, Sesc Ipiranga, r. Bom Pastor, 822, tel. (11) 3340-2000

QUANDO Sábado, às 18h

QUANTO Gratuito, com retirada de ingressos uma hora (17h) antes do show