Demônios e Gil arrasam na festa de São Paulo

Por Carlos Bozzo Junior
O cantor e compositor Gilberto Gil no show do 462º aniversário da cidade de São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O cantor e compositor Gilberto Gil no show do 462º aniversário da cidade de São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Aconteceu, ontem, segunda-feira (25), no Centro Esportivo e de Lazer Tietê, um show em homenagem ao 462º aniversário da cidade de São Paulo, em que o grupo Demônios da Garoa e o cantor e compositor Gilberto Gil arrebanharam gente de toda a espécie: de crianças aos mais velhos; de hippies a caretas; de tribos a não tribos. De tudo um pouco, ou seja, a “cara” da população paulistana.

O Música em Letras partiu a pé da estação do metrô Armênia para o evento e documentou ( veja vídeo no final do texto) o trajeto, o som (ruídos) e a imensa variedade de pessoas, até passar por uma breve revista e entrar no local onde rolou o som.

Integrantes do grupo Demônios da Garoa no show de 462 anos da cidade de São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Integrantes do grupo Demônios da Garoa no show de 462 anos da cidade de São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Antes de começar o show dos Demônios da Garoa, que abriu o evento, pessoas disputavam uma das únicas áreas com sombra, formada por poucas figueiras. Fora desse oásis, a grama sintética, que reveste a maior parte da área que leva ao palco, deixava todos em pé. O motivo? O calor que o material emana. Altíssimo. Os mais prevenidos levaram cangas para proteger a pele ao se sentarem ou se deitarem na “cama quente”. Ontem foi o segundo dia mais quente deste ano. Os termômetros do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registraram 32,3ºC, às 17h.

Um dos integrantes do conjunto vocal mais antigo do Brasil em atividade, os Demônios da Garoa, comentou sobre o extenuante calor, “mandando” no microfone: “Debaixo do pé desses caras (público) dá prá fazer um churrasco”. Afáveis, cantaram de tudo um pouco. Teve até “Fogo e Paixão”, do Wando (1945-2012), além de “Óculos”, dos Paralamas do Sucesso, interpretada pela primeira vez pelo grupo. Claro que não faltou Adoniran Barbosa (1910-1982). Entre as várias cantadas, “Vila Esperança” e “Samba do Arnesto”. Se agradaram? Orra, meu!

No final, subiram ao palco se juntando ao grupo, para engrossar o coro de “Trem das Onze”, Eduardo Suplicy, secretário municipal de Direitos Humanos, o sambista Luiz Ayrão, e o humorista Marquito (Assista ao vídeo no final da matéria).

Entre dois integrantes dos Demônios da Garoa, o humorista Marquito e Eduardo Suplicy (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Entre dois integrantes dos Demônios da Garoa, o humorista Marquito e Eduardo Suplicy (Foto: Carlos Bozzo Junior)

CARISMA E MÚSICA

Gilberto Gil entrou no palco às 18h20, atacando de “Tempo Rei”. Do começo ao fim, o baiano conquistou o público cantando várias músicas. Entre elas, “Drão”, “A Paz”, “Toda Menina Baiana”, “No Woman No Cry” e, claro, “Sampa”. A qualidade das músicas, da banda, além de seu carisma, deixou o povo da cidade feliz. A maioria cantou e dançou com ele como quem recebe um presente que gosta, serve e vai usar para sempre.

O cantor Gilberto Gil apresentando-se no show de aniversário de São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O cantor Gilberto Gil apresentando-se no show de aniversário de São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

PÚBLICO APROVA

O Música em Letras entrevistou três amigas paulistanas, que assistiram às duas atrações e estavam bem felizes com o que presenciaram.

Juliana dos Reis Domingues, 34, professora universitária do curso de Pedagogia, veio de Ubatuba em uma carona de carro que a deixou próxima ao evento. Sua amiga e xará de primeiro nome, Juliana Ladeia, foi de metrô e disse não ter encontrado nenhuma dificuldade. Para ela, além do transporte tudo foi “show de bola. Gilberto Gil é top. Foi tudo bem organizado, a galera ficou bem à vontade e o Gil arrebentou como sempre”.

Juliana dos Reis estava pela primeira vez assistindo a um show no local. “Vou mais a shows abertos no parque do Ibirapuera, por ser mais próximo de minha casa, mas achei esse espaço bem adequado para eventos como esse”, disse a professora que reside em Mirandópolis, bairro localizado na Zona Centro-Sul da capital.

Viviane Silva Acre é professora de língua portuguesa da rede pública de ensino. Ela deixou o carro na estação do metrô Barra Funda e foi se juntar às amigas para assistir ao show. “Achei muito bom o acesso e o local, mas achei um pouco incoerente poucas pessoas serem revistadas”, disse a professora, embora não tenha presenciado nada de anormal com relação à segurança.

Tanto Juliana Ladeia quanto Viviane residem na chamada “clientela da quarta vogal”, ou seja, no bairro da Freguesia do Ó. Ambas se sentiram representadas por Gilberto Gil e endossaram o coro dos que cantaram alto com ele “Punk da Periferia”, fazendo o conhecido gesto de “fuck”, com o dedo médio em riste.

Para as três amigas, típicas cidadãs de São Paulo, não faltou nada no evento. Segundo Juliana dos Reis, a escolha dos artistas para presentear a cidade foi acertada. “Não poderia ter sido um presente melhor. Gil foi uma escolha fantástica.”

Da esquerda para direita, Juliana dos Reis Domingues, Juliana Ladeia e Viviane Silva Acre (Foto: Carlos Bozzo Junior)
Da esquerda para direita, Juliana dos Reis Domingues, Juliana Ladeia e Viviane Silva Acre (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Assista aos vídeos do trajeto da estação do metrô Armênia até o local do show; um trecho do show dos Demônios da Garoa cantando “Trem das Onze”, com Eduardo Suplicy, Luiz Ayrão e o humorista Marquito; além de dois trechos do show de Gilberto Gil cantando “Vamos Fugir” e “No Woman No Cry”.

Parabéns, São Paulo!

Trajeto da estação do metrô Armênia até o local do show.

Trecho do show dos Demônios da Garoa cantando “Trem das Onze”, com Eduardo Suplicy, Luiz Ayrão e o humorista Marquito.

Trecho do show de Gilberto Gil cantando “Vamos Fugir”.

Trecho do show de Gilberto Gil cantando “ No Woman No Cry”.