Ritchie envenena músicas de Paul Simon

Por Carlos Bozzo Junior
O cantor Ritchie, ao centro, acompanhado pelo trio Black Tie e por Tuco Marcondes, o primeiro a esquerda Foto: (Carlos Bozzo Junior)
O cantor Ritchie, ao centro, acompanhado pelo trio Black Tie e por Tuco Marcondes, o primeiro à esquerda Foto: (Carlos Bozzo Junior)

O cantor, compositor e flautista inglês Ritchie, 63, que ficou conhecido no Brasil, entre outros sucessos, pela música “Menina Veneno”, “envenenou” 14 músicas do compositor Paul Simon com propriedade e muita emoção, em show que aconteceu ontem (dia 26), na Sala Crisantempo, na Vila Madalena, em São Paulo.

O show Black Tie e Ritchie Cantam Paul Simon teve duas apresentações gravadas, ao vivo, para ser lançado em CD, em 2016. A feliz ideia, além da produção, são do músico Fábio Tagliaferri, que ao lado de Swami Jr. e Mario Manga formam o grupo Black Tie.

A sonoridade do trio conta com o violão de aço e o violoncelo do experiente e sempre surpreendente Mario Manga; da viola (irmã do meio do violino e do violoncelo) de Tagliaferri; e do violão de sete cordas, além do ukulele bass, ambos tocados por Swami Junior.

Agregando potência ao veneno- e deixando-o quase letal-, foi acrescentado ao trio e à voz do inglês o som do violão de cordas de aço de Tuco Marcondes, excelente guitarrista que acompanha, entre outros, Zeca Baleiro. No show, Marcondes dobrou brilhantemente com Ritchie algumas vozes das músicas de Simon.

O Música em Letras esteve lá e presenciou ao lado de 100 pessoas um cantor que ultrapassa de longe o risco de fazer apenas um cover de Paul Simon, ladeado por músicos que sabem ocupar seus espaços.

Ritchie, além de mostrar que sabe cantar, dividir e suingar, tem voz suave de timbre superagradável, emoldurada por uma interpretação quase didática. Uma cantora que assistia ao espetáculo, comentou: “É música com legenda?”, dado o gestual expressivo do artista. Palavras das letras de “The Sound Of Silence”, “Scarborough Fair”, “America” e “50 Ways”, as duas últimas arrebatadoras, foram quase que desenhadas no ar pelas mãos de Ritchie. Somadas às expressões faciais do cantor, a performance mostrou-se mais eficiente do que uma tradução feita em Libras, a linguagem dos sinais.

Os arranjos, todos enxutos, foram escritos por Mario Manga e Fábio Tagliaferri para favorecerem o cantor sem roubar a cena, só acrescentando mais ainda à música. Coisa de quem manja. O violão de sete cordas de Swami em “Bridge Over Troubled Water” tem poções harmônicas mortais.

No repertório, escolhido pelo inglês, músicas famosas e nem tanto de Simon, como “The Boy in the Bubble”, “The Only Living Boy” e “Song For The Asking”.

Assista a um trecho de “Mrs Robinson” interpretada por Ritchie com o trio Black Tie e a participação especial de Tuco Marcondes, que está gravando um novo disco autoral e prometeu mostrar parte dele ao Música em Letras, em breve.