Bandolinista Ronen Altman leva o som de seu bando ao Ibirapuera

Por Carlos Bozzo Junior
O músico Ronen Altman em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O músico Ronen Altman em entrevista ao Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)

A concepção de música do bandolinista e compositor mineiro Ronen Altman, 47, aliada a sua satisfação de “musicar” ao lado de gente boa (Dori Caymmi, Yamandu Costa, Eduardo Gudin, Gilson Peranzzetta) em “Som do Bando”, seu CD de estreia, formata o espetáculo musical que o instrumentista apresenta domingo, dia 26 de julho, no Auditório Ibirapuera.

O disco do músico que nasceu em Belo Horizonte, mas mora desde criança em São Paulo, pode ser considerado um dos melhores lançamentos do gênero em 2014.

O Música em Letras esteve com Altman, que no show se apresentará ao lado de Swami Jr. (violão), Ricardo Mosca (bateria), Daniel Grajew (piano) e Pedro Gadelha (baixo).

Um quinteto de sopros formado por Sarah Hornsby (flauta), Ricardo Barbosa (oboé), Ovanir Buosi (clarinete), Alexandre Silveiro (fagote) e Luiz Garcia (trompa), além de participações especiais como a do pianista Laércio de Freitas, garantem a festa do bando embalada, entre outras, por “Porta Aberta”, de Lulinha Alencar; “Baianinha Nº 1”, de Lúcio França e “Esperando a Feijoada”, do guitarrista Heraldo do Monte.

Leia a seguir sobre o músico, o espetáculo e assista ao vídeo, no fim do texto, com o artista tocando “Parafuso”, uma de suas músicas que está no repertório do CD e será executada no espetáculo.

O compositor Ronen Altman, em seu escritório, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O compositor Ronen Altman, tocando com exclusividade para o Música em Letras (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Há 35 anos que Altman estuda música. O início se deu com o aprendizado do bandolim. Lúcio França, o cavaquinista que tocava, entre outros, no regional do Evandro (1932-1994), é considerado por Altman como seu “grande professor de bandolim”. Quanto ao “grande professor de música”, não há apenas um, mas sim vários. Os principais? Sérgio Bizzeti, Heraldo do Monte, Hans-Joachim Koellreuter (1915-2005) e Claudio Leal Ferreira. As influências musicais adquiridas por Altman passam por Jobim (1927-1994) e Piazzolla (1921-1992), aliadas a muito choro e jazz.

Altman atacou, com 17 anos, tocando bandolim e tamborim em Notícias dum Brasil, grupo que acompanha o compositor e arranjador Eduardo Gudin. Em sua formação, o grupo contou com as cantoras Luciana Alves, Mônica Salmaso e Fabiana Cozza. Depois, o bandolinista participou de quartetos, trios e duos. Entre eles, o Expresso Brasil, antes de ingressar, em 1997, na extinta Orquestra Popular de Câmara.

“Na época da orquestra passei a ouvir de tudo”, contou o músico sobre o grupo que infelizmente acabou. “Depois que fechou o Supremo (casa noturna paulistana), os contratos da orquestra começaram a diminuir. Cada um foi para um lado cumprir uma agenda cheia de trabalhos. O problema é que, tirando eu, era um grupo com muita gente boa”, contou rindo o músico que tocava no subsolo da casa (Supremo Musical), fechada em 2004.

O lugar minúsculo abrigava sons maiúsculos. As terças-feiras eram reservadas para o som da orquestra formada por Benjamim Taubkin (piano), Sylvinho Mazzuca Jr. (Baixo), Teco Cardoso (flautas e sax), Mané Silveira (flautas e sax), Mônica Salmaso (voz), Ronen Altman (bandolim), Paulo Freire (viola caipira), Toninho Ferragutti (acordeon), Dimos Goudaroulis (violoncelo), Lui Coimbra (violoncelo), Caíto Marcondes, Zezinho Pitoco e Guello (percussão).

O músico em seu escritório, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)
O músico em seu escritório, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

Acostumado a participar, compartilhar, somar, e não apenas a se destacar, Altman vai na contramão da maioria com essa atitude, enquanto alguns músicos, de tão vaidosos, parecem patrocinadores de si mesmo e esquecem do principal, a música.

Mais do que música, o bandolinista gosta de dormir- Altman é daqueles que acorda atrasado para pegar o banco aberto. “Uma vez, perguntaram o que os pais dos alunos da classe do meu filho faziam. Uma criança disse que o pai construía, outra que o pai curava doentes. Quando perguntaram para o meu filho: ‘O que seu pai faz?’ Ele disse: ‘Dorme’”, contou rindo o compositor que não dorme no ponto e já pensa em outro disco, mas não revela nada a respeito.

No show de domingo, Altman mostra sua rica experiência musical construída com o coletivo. Esta é uma excelente oportunidade para ouvir uma música repleta de conteúdo e feita por muito músico bom. Junte-se ao som deste bando.

Por enquanto, assista ao vídeo em que Altman sola um trecho de “Parafuso”.

SOM DO BANDO

QUANDO: domingo, dia 26 de julho, às 19h.

ONDE: Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer – plateia interna – pq. Ibirapuera – av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portões 2 e 3, tel. (11) 3629-1075.

QUANTO: R$20 (inteira), R$10 (meia).