Executiva volta a cantar depois de sete anos

Por Carlos Bozzo Junior
A cantora Gisella Gonçalves, que estava sem cantar profissionalmente há sete anos (Foto: Carlos Bozzo Junior)
A cantora Gisella Gonçalves, que estava sem cantar profissionalmente há sete anos (Foto: Carlos Bozzo Junior)

A cantora mineira Gisella Cristina Lima Gonçalves, 49, interrompe um silêncio de mais de sete anos e volta a cantar na próxima sexta-feira, dia 3, e sábado, dia 4, ao lado de músicos do primeiro time no Espaço 91. O local, que fica nas proximidades do Sesc Pompéia é um ambiente pequeno que acomoda 45 pessoas. Para se ter acesso ao endereço e outras informações, o internauta deve inscrever-se no evento pelo site www.espaco91.com.br e adquirir o ingresso, que custa R$35.

O trio, formado por excelentes músicos, conta com Toninho Ferragutti (acordeon), Marco Pereira (violão) e Neymar Dias (viola de dez cordas e baixo). Eles prometem emoldurar a bela voz (mezzo soprano) da mineira, com arranjos inéditos de músicas de Milton Nascimento, Tom Jobim (1927-1994), Chico Buarque, e outros compositores. Entre as quinze músicas do repertório do show, estão garantidas “Acqua Marcia”, de Ivan Lins e Marina Colasanti; “Flor de Ir Embora”, de Fátima Guedes; e “Saudações”, de Egberto Gismonti.

Gonçalves iniciou-se na música aos 13 anos, cantando no coral juvenil Julia Pardini, em Belo Horizonte. Estudou violão erudito no Conservatório de Minas e quis ingressar na universidade para estudar música, mas o pai não deixou. “Ele queria que eu estudasse qualquer coisa, menos música”, disse a cantora que foi aluna do curso de física da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas não chegou a concluí-lo, pois começou a cantar em bares, na noite de Belo Horizonte. “Só no Beco da Lua (extinto bar e conhecido ponto de músicos de BH) foram três anos”, falou Gonçalves.

Aos 20 anos, a cantora mudou de profissão e trabalhou como executiva em várias empresas distribuidoras de aço, viajando pelo mundo. “Conheci o mundo todo, Sudeste Asiático, Japão…Era bem legal, mas sentia que faltava algo”, disse a ex-executiva que saiu do mercado de siderurgia aos 40 anos de idade e com o dinheiro gravou seu único CD, “Passagem”, com 13 faixas só de composições de seus amigos mineiros. Entre elas, “Azul de Passagem”, de Flávio Henrique e Marcio Borges; “Capricho da Sorte”, de Sérgio Santos e Murilo Antunes; “Isadora”, de Manuel Musa e Antonio Martins e uma raridade, “Os Cafezais Sem Fim”, música instrumental de Wagner Tiso, que ganhou letra de Fernando Brant (1946-2015) a pedido da cantora e foi gravada apenas nesse disco.“Canto esta música no show”, afirmou Gonçalves que, embora ganhasse muito dinheiro (mais de 10 mil dólares por mês), não tinha amigos no ramo siderúrgico. “Eu estava de saco cheio de trabalhar com aquilo. Já tinha dado o que tinha que dar, além do mais todos os meus amigos sempre foram ligados à música. Este CD foi minha carta de alforria”, falou a cantora que chegou a lançar o disco em São Paulo, em uma única apresentação no teatro Crown Plaza, em 2007, antes de abrir uma produtora de shows e se mudar para cidade.

Hoje, a cantora é sócia da gravadora Borandá. “Saquei que, pelo fato de ter 40 anos na época em que lancei o CD, a minha volta à música dependia de um golpe de sorte, que não tive. Resolvi aproveitar minha experiência como executiva para produzir shows e acabei virando sócia da gravadora”, disse a executiva que, por esse motivo, estava há sete anos sem cantar.

Assista ao vídeo gravado com exclusividade pelo Música em Letras, em que a cantora mostra trecho de uma música a ser apresentada no show.

GISELLA GONÇALVES

QUANDO sex. (3) e sáb. (4), às 21h.

ONDE Espaço 91 (acessar o site www.espaco91.com.br e enviar mensagem para comprar ingresso e obter informações sobre o endereço)

QUANTO R$ 35